27 de agosto de 2013

Carta à Amiga I e II



Garota, aquieta o facho. Não fique com inveja porque sua amiga tem o melhor namorado do mundo e você está ai solteira. Lembre-se: se você ainda não tem o amor, você ainda pode ter as estradas. Vai pela direita garota. Caminhe. Melhor sozinha do que mal acompanhada. Certo? Quando eu digo em aquietar o facho, eu digo pra você parar de se preocupar em procurar. Não é procurando que se acha. É não procurando que tudo se encontra. É descombinando que tudo se combina. Você sabe, não fique ai sofrendo por amor ou por carência no qual ninguém dá jeito. Isso é paia, é perdição menina. Tenha paciência, calma e força para cruzar esses dias cinzas. O amor é distração; ele pega a gente distraído, calmo, manso. O amor gosta de encontrar pessoas e não gosta de ser encontrado. Fica bem relax, tudo tem de acontecer, e só acontecerá quando for para acontecer. Não adianta insistir em algo que não dá certo. O que é nosso vem com força, se é mais ou menos não é pra ser. Olha vou te contar uma coisa muito minha, um segredo talvez: – Venho enfrentando estes dias numa corda bamba. Já quase caindo. Está sendo difícil, mas pra tudo tem um jeito. Depois que ela me deixou, chorei horrores menina. Mas isso acontecia sempre antes de dormir. À manhã, à tardezinha eu ficava tentando me distrair com coisas que eu não lembrasse dela, isso era bom. Porque lembrar de algo que se foi e não volta mais, dói. Foi uns três dias seguidos, toda vez antes de dormir, deitava-me na cama, pegava meu celular, colocava um fone de ouvido, aquela música que fazia lembrar-me dos dias que passei ao lado dela, entrava na pasta de fotos e olhava as nossas fotos juntos. Entrava nas mensagens, caixa-de-entrada, e tinha uma mensagem assim: ”Eu nunca vou te abandonar.” e chorava horrores. Parecia uma criança. Não sei porque chorei, mas precisava esvaziar. Não sei se chorei por ser burro de ter acreditado outra vez e ter dado errado ou se chorei por ter perdido ela. Acho que foi pelos dois. Acho que quando a gente chora, a gente ta se limpando por dentro e mandando essas coisas que nos machuca para fora de nós. E depois do choro, quase sempre, ficamos mais leve. Estes dias estou sentindo uma dor Feliz. Uma dor daquelas que eu pensei que não iria passar, que não iria superar, mas passou, superei. De todos esses dias que se passaram só guardei essas palavras no meu peito: Paciência, Força e Fé. Viu como são as coisas menina? Por isso te falo: Aquieta o facho. Sossega. A gente não pode se entregar de bandeja. Aparece uma pessoa qualquer e a gente começa a criar para nós mesmos coisas que não vão acontecer. A gente tem essa mania. (principalmente Eu) de uma pessoa qualquer chegar com palavras encantadoras e me ganhar duma forma tão fácil e ao decorrer dos dias eu ficar criando ilusões para mim mesmo e colocando fé e esperança naquilo que não sei se vai dar certo. Acho que esse é o meu defeito. De esperar demais das pessoas. Desejar coisas demais nas pessoas. Olha, eu tô de boa. Fica de boa também. Sem essa de procurar o amor. Você é nova garota, é linda, tem um sorriso encantador e não vale à pena se entregar à algo que não vale à pena. Hoje, não acredito mais no amor. Talvez seja por tantas decepções. Posso ficar pertinho de alguém, abraçar de vez em quando, sentir um pouquinho de saudade e ligar nos dias seguintes marcando encontros, gostar um pouquinho. Um pouquinho só. Mas amar não, amar nunca, amar não serve pra mim. Prefiro assim. Porque, amar é se apaixonar. E se apaixonar é perdição. Se apaixonar dói. Olha, ela partiu duma forma tão insuspeitável e me deixou todo desorientado, perdido e confuso. Levou embora meu sorriso. Me rasgou por dentro. Hoje se sorrio é por felicidade de ter saído dum poço no qual entrei e pensei que não tivesse mais saída. Foi trágico, foi difícil pacas, mas saí. E saí de cabeça erguida. Eu disse até que não iria mais dar sinal de vida, que não iria ligar, mandar Sms de manhã desejando: ”Bom dia princesa. Hoje está um dia lindo, como nós.” Ou de noite antes de dormir: ”Boa noite nenem, durma com Deus e sonha comigo.” Eu disse que não. Muitas vezes que não. Eu não teria coragem de ir atrás de algo que por vontade dela, foi desistido. Não mesmo. Depois de ter me abandonado, a unica coisa que eu deveria fazer é rezar e ficar em silêncio. Rezar pedindo proteção à Deus para que eu consiga ultrapassar esses dias, com ela ou sem ela. Eu decidi me afastar, parar de lembrar dela. Não ir atrás, não me preocupar mais. Porque, se ela não me procura, não vem atrás, é porque consegue viver bem. Se ela está bem, isso que importa. Nunca desejei mal à ninguém mesmo. Quando alguém fala mal de mim. Eu rezo, peço para Deus cuidar. Você sabe garota. Eu falei que ia te mandar uma Carta né? Mas não falei que quando escrevo, falo pra caralho. Isso é normal. Ainda mais quando estou triste. Tristeza é o combustível do escritor. Eu vou encerrar por aqui. Acordei de manhã só para te escrever. Preciso agora por minha roupa de viver e ir caminhar, sair pra rua, escutar uma boa música e me distrair bastante. Faz isso também. A distração e uma boa música é o melhor remédio.

Parte II

Amiga: – Eu tô mal. Tô na pior. Quer dizer… é exagero, eu sei, mas é assim como eu me sinto. Algumas coisas tem me deixado pra baixo ultimamente. Eu conto tudo para os meus ”amigos”, mas eles não entendem, ou entendem, mas não se importam com isso. (por isso as aspas).

Eu: O que acontece menina? Homens de novo?

Ela: Também, (risos). Tem o Eduardo (eu já falei dele pra você), o garoto que eu gosto e que não conversa comigo oficialmente há quase 2 meses. Casualmente há 3 semanas. Sabe, eu já fui rejeitada de muitas formas, por muitas pessoas, em várias datas. Mas de tanto as pessoas me rejeitarem e depois voltarem, acho que criei na minha cabeça a ideia de que sou ”insubstituível”, então simplesmente não aceito que não era pra ser assim. Sei lá, ele tinha que sentir a minha falta também. Nem que fosse só como amiga, como uma simples amizade. Ele se foi. Se despediu. Me varreu como lixo e whatever. Não era pra ser assim. Não queria que fosse dessa forma. Ele tinha que sentir minha falta. Aliás, vamos pensar com certeza – ele tem que sentir a minha falta – devia se preocupar comigo também. Qualquer besteirinha; poxa, ele deveria se importar. Mas ele não se importa, ou se importa, eu não sei. Nunca me disse.

Eu: – Menina… não, não e não! Pare com isso. Não se importe com isso. Se ele não te procura, não se importa, não vai atrás de você, não liga pra perguntar – oi, você tá bem? como tá a sua vida? e o teu coração? – se ele não faz essas coisas que a gente chama de preocupação, é porque ele consegue viver bem sem você. Ele agora está vivendo a vidinha dele, viva a tua também. Certo? o mais feio é você ficar ai, toda imunda, patética, sentada, chorando pelos cantos, e se preocupando com isso. Pô, acorda menina. Dá a volta por cima. Seja forte. Seja você.

Amiga: – Eu dou a volta por cima, só se for com ele. Eu Eu sou forte, mas só com ele. Eu sou eu, só quando estou com ele. Ele se foi, me rasgou toda. Me sinto perdida dentro de mim. Isso dói.

Eu: – Menina, olha… não fica assim não. Eu sei que é horrível (já passei muitas vezes por isso). É chato se importar com alguém e esse alguém não estar se importando pela sua importância. É ruim quando a gente se apega à alguém, e esse alguém nos deixa. A gente fica assim, perdido e só.

Amiga: – É complicado. Tu sabe. Mas e essa dor? o que eu faço?

Eu: – Olha, eu sei que parece que você vai explodir, mas não explode. Eu sei que parece que você não vai aguentar com tudo isso que está sentindo, mas aguenta. Dor é assim mesmo, arde, machuca, rasga, sangra. Mas depois passa. Eu sei que agora você tem uma vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nessa situação, nesse momento tão difícil não é um bom lugar para se estar. Essa fogueira que acenderam dentro da sua barriga, essa sensação toda de que pegaram teu coração tão sensível e torceram com uma toalha molhada – isso tudo é difícil de acreditar – relaxa, que vai virar só uma lembrança na memória.

Amiga: É tão triste. Pior que eu não sei o porquê, talvez eu nunca saiba. Talvez eu nunca retorne a vê-lo sorrindo. Mesmo que de longe, sem mim… mas ainda seria o sorriso dele.

Eu: É triste sim. E muito… a gente sempre pensa que nunca vai passar, que essa dor, essa sensação de estar se sentindo um lixo, um derrotado, um merda não vai passar. Mas passa. A gente pensa que essa pessoa que faz a gente ficar assim, todo cheio de dor, toda cheia de dor, triste, acabado, acabada, sozinho, sozinha seria a ”unica” pessoa que podia fazer a gente feliz, ou a gente mesmo podia fazê-la feliz. Mas não. Você sabe, o nosso futuro é brilhante. O futuro trará pessoas fantásticas, o futuro tem alguém guardadinho para nós. Tem alguém tão especial para nós numa caixa, embalado, amarrado, fechado em 7 cadeados. Mas o futuro só irá abrir quando for a nossa hora. Quando for o nosso dia. Compreende? enquanto não é a nossa hora nem o nosso dia, o presente fica trazendo pessoas no qual a gente inventa com ela, aquilo que na realidade não é. É só esperar menina… que o futuro trará uma pessoa brilhante. Porque ele trás, sempre trás.

Amiga: – É. Eu sei. (triste)

Eu: – Estou na mesma situaçãozinha que você, só que mais complicado.

Amiga: – Quer compartilhar?

Eu: – Me entreguei. Gostei. Amei. Mas não fui correspondido.

Amiga: – Me conta tudo?

Eu: – Eu não gosto de me explicar. Não gosto de contar os meus problemas, ninguém entenderia. Pois guardo tudo pra mim. Eu vou me acumulando, me acumulando, que chega um dia que eu explodo em palavras.

Amiga: – Se quiser “explodir” comigo, acho que entenderia.

(Silêncio)

Eu: Prefiro não comentar.

Fernando Oliveira

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