25 de setembro de 2013

Quando tudo sem você, é nada.




E me fazia um bem danado. Assim, fazia. Eu era apaixonado por aqueles abraços. O abraço dela era o meu casaco preferido. Não resisto à abraços fortes e sinceros que me envolvem. Eu sinto como se um choque de esperança me fizesse ver as coisas de uma outra maneira bem mais fascinante. Então, dizia: poupe-se de procurar palavras ou bens materias para tentar me agradar, pois tudo que uma pessoa possa fazer para me ver sorrir e me sentir o Homem mais feliz do mundo é me abraçar. Então pedia para ela, no pé do teu ouvido sempre que chegara perto de mim: Apenas me abrace e me segure bem forte, amor. 

E ela tinha para si, tudo que precisava. Os meus abraços verdadeiros, que lhe deixava segura. Os meus cafunés lentamente. O meu carinho precioso.  O meu romantismo sensível. Os meus poemas em pedaços de folhas de caderno. O meu olhar fixo, e verdadeiro, de que tudo aquilo que estávamos vivendo valeria à pena. Os meus beijos, de tão demorados e molhados, nos mostravam a verdade de como era gostar de alguém. Os meus apertos, de tão apertados que eram, lhe fazia sentir a garota mais segura. Os meus arranhões, de tão fortes que eram, passavam dias e continuavam ali, cicatrizando, para quando não quiser, lembrar de mim. As músicas, que numa ligação do fim da noite, mesmo com a voz rouca, sono e com vergonha, começava a cantar para ela, só para vê-la feliz. As piadas tão sem graça, só para vê-la sorrir. Os ciumes, que não tão exagerados, faziam com que nosso amor aumentasse mais e mais. A saudade que batia forte no fundo de nós, quando não nos viamos nos fins de semanas. A vontade um do outro era a certeza de que tudo aquilo não era em vão. E não era.

Na mulher que eu adorava amar, existia nela uma beleza que a diferenciava das outras. Pensava que só era diferente por que era extremamente maluca e atirada, mas não, tinha coisa além que a separava das demais.
Não era o cabelo bonito, o corpo de violão e muito menos os olhos discretos. Existia nela, uma coisa surreal que dava a certeza pra quem a olhava, que ela, veio pra chamar a atenção. Ela tinha simpatia no modo de falar, e uma elegância quando jogava o cabelo para o lado. Acho que era isso que ela tinha, ''simpatia''. Poderia até estar em uma festa com um monte de beldades e nem tão bem vestida assim, mas amigo, ela era o foco! Tinha o poder da sedução sem querer seduzir, só ela que não notava, ou notava, mas fingia não notar. Ela tinha um defeito. Claro, como toda mulher, sempre sofria de amor por tanto amar. Ninguém sabia o que ela queria, muito menos eu. Como eu, coitado menino, rendido aos seus pés desvendaria mistérios num vale tão oculto como é o universo feminino? Eu só sabia de mim, e do que exatamente eu, naquele momento queria. E lhe dizia: Ah meu amor, como queria tê-la em meus braços e dentro do meu coração. 

E ali, naqueles dias, vivia sonhando. Não é pecado sonhar. E quando eu sonho com ela, vou onde meus pés jamais foram. Eu vou além da linha que divide o céu e a terra. Vou pra onde os anjos fazem morada, onde nasce o sol e descansa a lua. Piso em estrela e me entrelaço entre os planetas me segurando na barra do seu vestido rodado. Deslizo pelos seus cabelos e morro em seu peito. E lá, onde tamborila um compasso ritmado forte onde eu faço morada. É lá onde nasce todas as minhas poesias.

E quando a gente menos espera, a felicidade voa. O que a gente tanto queria, acaba perdendo. Tantos planos acabam indo embora. De vez. De um dia para o outro. Talvez seja por nossa causa, de querer apressar as coisas. E vivia todos esses tipos de pensamentos só para mim. Pois era bom viver tudo isso, mas não era fácil ficar longe. Por que não é agradável sentir saudade de quem a gente mais quer por perto. Mas ainda assim era bom. Tinha certeza. E por um descuido qualquer, nos perdemos de vista. Nos perdemos, eu à perdi e ao perdê-la, me perdi completamente. Vivia em um mundo no qual não era meu. Estava desorientado. E ficava ali, mastigando aquela desorientação sozinho. Houve um desmoronamento dentro do meu Eu. Um buraco. No qual, lancei de cabeça e dentro de mim mesmo, fazia de tudo para me encontrar novamente, mas não me achava. E todo dia, sempre no fim da noite, antes de pegar no sono. Tentava-me entrar em contato com ela. Ligava, mandava mensagem, e nada. E tudo isso foi indo. Os dias foram passando. Os meses foram voando, e quando a gente pensa que não, e que nunca vai passar, e que nunca iremos esquecer, bum, já tinha passado, já tinha esquecido. Tudo parecia estar normal, até lembrar das coisas que fazíamos juntos.

E sei que algo eu a ensinei de um jeito correto. E que todos os momentos, não foram em vão. E que todas as palavras não foram da boca pra fora. E que todos os abraços não foram desperdiçados. E que todos os beijos não foram falsos. E sei, que lá pra frente, há de lembrar dos conselhos, dos momentos difíceis, e que de qualquer forma, saberei que irá levar tudo isso que passamos juntos, como forma de aprendizagem. E que lá pra frente, irá usar com a futura pessoa que estiver. E quietinha em teu canto pensar: Eu aprendi isso com Ele. 

Hoje faz 3 meses que não te vejo e que não falo com você. Do nada, nos distanciamos. Não sei se você está bem, se está estudando, se está trabalhando, gostando de um outro alguém ou se às vezes ainda sonha comigo. Nada mais sei sobre você, além do que sobrou. Recentemente, arrumando a bagunça do meu guarda roupa, no qual ainda findava o teu perfume, encontrei umas cartas que no começo de tudo, me presenteou. Vi algumas fotos sua, o corte de cabelo ainda era o mesmo, o físico, o estilo das roupas. Mas prestei bem atenção e notei que tinha algo diferente, eu sei que tinha, porém, como eu poderia explicar? Era algo no seu olhar castanho escuro, como se no fundo, faltasse algo por dentro de você. Era o formato dos traços do seu sorriso, como se tivesse perdido um pedaço de você... Então lembrei, talvez o que faltava de verdade, era o pedaço de você que eu levei comigo, e não consegui te devolver.

Fernando Oliveira.

6 comentários:

  1. Há várias formas de contar histórias tristes, incrível como você sempre conta de um jeito que me faz sorrir.

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  2. As vezes tão simples que meus olhos se descontrolam e minha alma se enche de lágrimas, e o sabor eu sinto com a alma, e tudo para quando fecho os olhos para senti-lás mais intensas, mais profundas.

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