3 de fevereiro de 2014

Esperar, para ter.



E era só ela chegar para o encanto todo acontecer. Não tinha hora marcada e eu quase nunca trocava de roupa. Estava sempre do mesmo jeito e bem simples. Usava sempre o mesmo perfume pra lhe esperar, pois sabia sempre que não tinha horário certo, nem o dia exato que apareceria, mas eu sempre ficava ali no mesmo banco do campo. À espera daquele momento certo! Todo mundo dizia: Meu Deus, como aquele garoto é bobo, fica ali sentado todos os dias esperando por alguém que nem sabe se este alguém um dia virá!!! Mas mesmo assim eu insistia e insistia. Não é que eu era teimoso, embora que, teimosia sempre esteve dentro de mim. Pois sabia que um dia qualquer, tudo aquilo que a gente teve paciência e calma de esperar, vai chegar. Não é que eu acreditava sempre, pra falar a verdade se precisasse de uma pessoa descrente, este alguém era eu. Mas neste caso eu sobrevivia do pouco, que pra mim era muito, sempre quando ela vinha. Sempre soube que, esperar na vida, é tudo. Ainda mais quando a gente espera com o coração. A vida me ensinou a esperar. Às vezes eu me cansava, tinha vontade de sair e ir embora. De nunca mais aparecer por ali naquele campo, naquele banco, naquele horário. Esquecer tudo e guardar apenas na lembrança o que restava, mas como uma casca de ferida que não se fecha tudo ficava lá. Preso e acumulado. Aguniado eu ficava, sentado e bisbilhotando a natureza, o fim da tarde, as núvens, os pássaros, a neblina, o arrepio que sentia do frio. Não era tão simples assim. Não era só dizer que não queria mais, pois, a dúvida sempre parava nessa hora, e eu sempre me perdia dentro das mensagens sublimadas e me dizendo: Acredite, ela um dia virá. E falando sozinho, perguntava-me: Mas por que de tanta distância se o coração ficava tão perto? Era impossível conter as lágrimas quando elas rolavam feito as nuvens dissolvendo chuva no meu rosto. Era improvável dominar o pensamento com alguém sepultado vivo dentro dele. Não era a consciência que doía, era a vontade que martirizava. Era difícil aceitar as migalhas que a vida me dava, mas quando ela vinha.... Ah quando ela vinha, a vida ganhava sentido e o sol se abria. Nuvens de poeira cor de rosa desenhavam fachos de luzes na minha frente e a mágica acontecia. Eu via o céu, e o céu me via. E era assim quando, depois de tanto tempo esperando-a, chegava de mansinho bem perto de mim, abraçando-me por trás, dizendo bem baixinho no meu ouvido tudo aquilo que eu tanto esperei: Pois é amor, eu voltei. 

E sobrava sorrisos em mim.

Fernando Oliveira.

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