17 de junho de 2015

A PREFERIDA.





Às O3:OO da manhã, passo o café, vejo nossas fotos e te escrevo.

Que saudade feliz de você, preferida.


Uma saudade feliz de querer sentir sempre, sem más pensamentos, sem rancor, sem maldade, sem raiva, sem tristeza, sem desespero, mas sim, só uma saudade feliz mesmo, de não parar de senti-la.

Pela primeira vez, de todos esses anos, resolvi te escrever. Alguns dias atrás, eu mesmo me perguntei porque ainda não escreveste sobre ti. Uma poesia qualquer, uma frase  pequena, ou um texto deste que estás prestes à sair. Você, que sempre admirou minha escrita, nunca te fiz um texto. Lembro daquele dia, era o fim de nós, nossa última despedida, dentro daquele ônibus, cada um indo para a sua casa, ao descer do ônibus primeiro que você, me despedi com um abraço e na sua blusa de frio, no bolso, deixei uma carta sem você notar. Mas era apenas uma música, que resumia o nosso momento. E no fim, uma observação. Mas nunca te escrevi, nunca te citei entre-linhas, nem que fosse te xingando horrores por ter me dado um fora, ou até mesmo te expondo. Ou sei lá, qualquer coisa do tipo.

Você foi uma garota em que mais gostei naquele tempo que era o nosso tempo. A forma em que nós nos conhecemos e em que nos envolvemos, foi lindo. Talvez digo assim, lindo, por nunca ter passado aquilo tudo que foi tão pouco. E eu nunca te escrevi uma frasezinha em um papelzinho amassado. Você além de meu amor, minha gorda e preferida, era minha amiga que entendia essa minha vontade de querer abraçar o mundo quando nascesse a madrugada. A única, que naquele tempo, entendeu o motivo de eu dormir chorando com o pensamento de que era meio que impossível querer abraçar alguém, que eras você.

Outro dia, mexendo em minhas gavetas, acabei encontrando um caderno que eu dava o nome de Diário. Era ali, onde eu escrevia todos os meus segredos mais secretos  e que nunca os revelei à alguém, estava escrito, na data de 2011, que tinha encontrado o grande amor da minha vida. O amor da minha vida, no caso, era você. Dei risada e lembrei que toda vez e em todos esses anos que se passaram, mesmo eu nunca ter escrito algo para você, por muitas vezes ao sair de qualquer relacionamento que não dava certo, eu depressa lembrava de ti.

Depois encontrei uma foto nossa que tiramos no sítio, aniversário de um amigo, você tava com aqueles óculos de sol, cabelo ao vento e com o sorriso cheio.  Só que eu tava horrível, cabelo grande, barba por fazer e olhos inchados de cansaço. Mas a minha parte mais bonita estava ao meu lado, que era você. Por isso guardei de recordação. Mesmo sabendo que já naquele dia, não sentia mais nada por mim, eu insistia em voltar aquilo que éramos e que fomos, que ao te chamar e pedir pra te ver depois de um bom tempo, sabia que iria matar a minha saudade de você, nem que fosse só de sentir o teu abraço mais seguro do mundo.

Eu lembro como se fosse hoje, aquela festa em casa e você chegando com duas amigas minhas que te fez o convite e eu nem sabia que você existia. Ao te conhecer já me encantei todo. Aquele sorriso cheio, aquele cabelo longo, aquela simpatia e simplicidade de conversar com os outros, me ganhou. Parecia um abestado perguntando quem eras tu pra minha amiga. E depois de curtimos a festa, já estava ficando tarde e vocês precisavam irem embora, que, ao saber que já iriam, fiquei bravo. Mas entendi que vieram de longe e não podiam demorar. Ao me despedir de ti, abracei, beijei tua testa e disse: Não vai. E novamente abracei e dei mais dois beijos em sua testa só para te proteger. Mas tinham que ir. Parecia que naquele momento, ao te ver indo embora, já estava me faltando algo. Ah, como queria demorar mais naquele abraço. Ah, como queria que fosse hoje, e dentro daquele abraço te dizer mais um vez no teu ouvido: Não se vá, fica mais um pouco, amor.

Eu não sei porque não te escrevi quando me deu aquele primeiro abraço em casa. Não sei porque não te escrevi quando me deu aquele primeiro beijo dentro do shopping sentados em frente a praça de alimentação. Não sei porque não te escrevi sobre aquelas mensagens que trocávamos 24 horas por dia e que contávamos as horas para nos vermos novamente. Não sei porque não te escrevi quando morria de ansiedade sabendo que teríamos mais um novo encontro. Não sei porque não te escrevi quando estavámos deitados e abraçados no sofá da tua casa. Não sei porque não te escrevi quando tiramos fotos na sua sacada. Não sei porque não te escrevi quando tivemos nossa última despedida. Acho que era por ser tão perfeita na minha vida, eu não queria espalhar pra ninguém, então te amava em segredo.

Talvez eu tivesse ter escrito um texto pra ti, quando eu te pedi uma coisa que não se pede à alguém que não quer a gente: ''Posso te ver? Vamos pra uma festa? Que tal curtir um pagode no sítio? Estou com tantas saudades de ti, gorda.'' E você disse que sim. Você me fez companhia. Você me deu atenção. E você me olhava de canto de olho, se perguntando o que estava fazendo ali, com um ex-ficante-namorado-sei-lá-o-quê sabendo que não havia mais nada entre nós. E eu sabendo que você não queria nada, ficava te olhando e te admirando mais ainda. Me aproveitava daquilo tudo e da oportunidade de te ter por perto. Sugava completamente o amor do seu sorriso para então, sobreviver mais um pouco do amor que um dia era meu. 

Eu também podia ter escrito sobre esse dia do sítio em que me deu um fora, quando pedi para voltarmos à ser o que éramos e que queria você de volta pra mim. Eu fiquei numa tristeza ao receber o seu não. Quis desaparecer do mundo só de saber que não teria mais você na minha vida. Te xingava mentalmente. Te odiava por alguns segundos. Depois pensei que a verdade é, a gente só odeia quem a gente tanto ama. Então fiquei feliz. Te odiava horrores, pois isso tudo demonstrava o tanto que eu gostava de ti.

Depois tu começou a namorar, e então, me esqueceu. E eu podia ter feito um texto pra você. Claro que toda vez que via uma foto de vocês juntos eu morria de ciumes e sentia uma falta absurda de estar contigo. Mas mesmo assim, eu não te escrevia nada. Nem sequer, uma frase te xingando e te mandando para os raios que lhe partam, por estar com outro.

Meu jeito de ser, que hoje em dia mudou muito. Meu jeito de andar, meu jeito de dançar, minhas piadas sem graça, minha personalidade, minhas ironias, meu sarcasmo, minha simpatia, minha saudade, tudo isso é você. Quando eu coloco um moletom e uma calça mais larga, um tênis desamarrado, é você. Quando eu coloco um pagode bem alto para ouvir, é você. E mesmo que por pouco tempo tive a sua companhia, tudo se tornava você. Pois amava estar ao seu lado, mesmo que fosse por pouco tempo e nunca ter demonstrado. E, ainda assim, nunca tinha escrito uma frasezinha qualquer para você.

Poderia também te escrever um texto, quando naquela noite, naquele pagode entre amigos, tocou nossa música e eu te liguei depressa só para você ouví-la, nem que fosse só o refrão. Lembra? Que até hoje é a nossa música, creio eu. E mesmo assim poderia te escrever sempre que ouvisse ela, mas nunca te escrevi. Nunca lhe escrevi sequer uma linha sobre ti.

E hoje, ainda te sinto. Por que foi aparecer de novo? Por que depois de todo esse tempo ausente, ainda consigo te sentir aqui? São perguntas que eu me faço toda hora que, do nada, ao lembrar de ti, lembro de tudo que fomos. Acho que mesmo você vivendo sua vida ai do outro lado do mundo, que eu sei bem pouco sobre, você vai ser para sempre, a preferida.

Você era a minha preferida, assim, só era. Poderia aparecer outras em minha vista, mas você... você eu não à comparava com ninguém. Depois de tantos amores não resolvidos, pequenos, grandes, errados, certos, tortos, incompletos e desinteressantes, eu por incrível que pareça, tinha reconhecido finalmente dentro daqueles olhos mirados, naquele cabelo cor de ouro e em teu sorriso espalhado, que era a minha preferida. E a minha preferida estava me dando um baita fora. Que porra eu iria esperar da vida agora?

E hoje, ao te encontrar depois de muito tempo, poderia escrever um texto à você. E naquela tarde, ao te ver de surpresa, ao te ver sem graça e tímida, e ao falar contigo, poderia escrever sobre você. E hoje, dentro daquele abraço mais seguro que era o que eu tanto adorava, poderia te escrever. E hoje, ao sentir esse abraço que me deu tão demorado, estou te escrevendo. Por que foi dentro dele que, te encontrei novamente como da primeira vez.

Até esta manhã. Em que você, pela primeira vez, foi embora sem sentir nenhuma pena em tudo isso. Foi a primeira vez, em todos esse anos, que você simplesmente foi embora. Como se eu fosse só mais uma coisa na sua vida cheia de coisas que não são ela. E que você usa para não sentir saudade. Foi a primeira vez que você deixou eu te olhar, te ver, te tocar, te abraçar, te sentir, te adorar por um segundo, mesmo você não gostando mais de mim. 


E foi por tudo isso escrito neste texto, você deixou de ser a garota que eu amava e passou a ser só a garota que eu vou levar para sempre. E mesmo passando por tudo aquilo que um dia chamei de amor e foi dor, te considerarei para sempre a minha preferida. E ao ser isso tudo pra mim, mereceu um texto meu.

Fernando Oliveira.

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