16 de outubro de 2015

NOSSO AMOR MORREU NA ESQUINA.


Photo: Yasmim Félix.



Sabe quando você acorda numa sexta-feira linda e completamente decidida em dar um pé na bunda de quem tanto pede para você fazer isso? Sabe quando o cara não tá mais dando aquela moral e nem o valor merecido e tá louquinho para ser mandado para a puta-que-te-pariu? Sabe quando você acorda de um pesadelo e realmente pra vida? Sabe quando você acorda se amando e nota que o mundo tá tão bonito lá fora e que não vale à pena se entristecer por homenzinho nenhum? Sabe do que eu tô falando? Então. Hoje eu acordei assim, decidida. Pronto pra mandar um filha da mãe pra bem longe. Não é porque eu quero não, até por que, nunca fui tão má assim. É por que ele pediu mesmo. É porque ele quis. E vi também que a trouxa dessa história toda, era eu. Mas a bobona aqui acordou. A ficha da bobona caiu após ser tanto enrolada. Demorou, claro, mas agora eu acordei. 

Levantei mais cedo hoje, passei o café, vesti a roupa mais leve que tanto gosto e dei play na minha música favorita. Eu queria algo bem leve e tranquilo para ouvir, então ousei me entupir das palavras de Ana Carolina. Aquela voz serena que me passava tanta tranquilidade fez com que eu ficasse com a alma leve e com o coração voando. Nasci de novo, sim. Me tornei uma nova mulher, sempre. Tem dia que a gente tem que renascer e começar do zero. Acordei de um pesadelo que eu achara que não tinha mais fim. Até por que se dependesse de mim não teria fim mesmo, mas eu vi, notei, observei, que se eu não acordasse disso tudo, iria acabar morrendo ou me matando. Foi aí que, sentada no meu sofá, abaixei o volume do som, peguei o meu celular e liguei para aquele canalha.


Deu o primeiro toque e caiu na caixa de mensagem: 

 Porra! Será que ele tá dormindo? Vou ligar de novo. 


Chamou, chamou, chamou e na hora quando eu iria desligar ele me atendeu:  Oi amor.

Ele era tão sínico que depois de tanto tempo sem falar comigo, achando que tá tudo uma beleza sem estranhar minha ligação pela manhã numa linda sexta-feira teve a coragem de me chamar de amor? hahahahahaha, tá de brincadeira mesmo. Vamos ao que interessa!

Eu, com pensamentos positivos e sabendo exatamente o que dizer sem querer voltar atrás daquilo que eu pensava e sem querer desviar sobre o assunto que iria ser tratado, já fui logo falando:


― Eu notei que este amor não iria durar muito tempo. Era um daqueles amores que a gente sente que não dá para ir mais adiante. Era um daqueles amores frios que mesmo se a gente esquentasse, já não tinha o mesmo gosto. O sabor do nosso amor tinha ido embora com o tempo. O sabor do nosso amor tinha perdido o gosto por tanta enrolação da parte dele. O sabor do nosso amor tinha acabado assim que eu descobri coisas inesperadas que jamais esperaria que um dia, você chegaria a fazer por mim, cujo uma pessoa, garota como eu, mulherona, linda, decidida, cabeça, tranquila, impaciente às vezes, porém, o mais precioso e necessário para um relacionamento, eu dei para você.


 ― Amor, calma... Peraí... escu...

― Escuta nada!!! E você? Sabe o que você fez? Você deixou nosso amor perder o gosto. Que burro, cara! Inútil. Sim, hoje dá vontade de te xingar de tudo quanto é nome. Mas eu não cheguei à este nível e jamais iria me rebaixar diante de um tremendo babaca como você. Realmente eu fiz de tudo e por onde para agradá-lo, e vejo que hoje, não vale à pena sair crucificando-o numa parede porque eu sou mais Eu. Sim, eu me garanto. Eu bato no peito e repito quantas vezes quiser.

Tenho certeza que este sabor de amor novo que a gente tinha tu não vai encontrar tão fácil por aí. Nosso sabor era doce, mas não era enjoativo. Nosso amor era tão saboroso que dava vontade de querer mais. E olha agora? Já nem sinto gosto algum. Nosso amor tá sendo como ir tomar água só para matar a sede depois de correr no quarteirão do bairro. Isso tem sido as vezes em que tentamos sentir nosso gosto indo para cama fazer sexo. Fazer sexo, sim. Já não chamava mais aquilo de amor porque nem gosto tinha, era só vontade mesmo. Depois eu voltava para minha melhor amiga e falava: ''Vou dar um pé na bunda dele, juro.'' E você voltava e falava para a sua mãe: ''Vou te apresentar ela mãe, muita calma.'' Esperei isso por uns dois anos ou até mais, mas você acabou me trocando por uma dessas vagabundas que a gente vê nas esquinas entrando em carros diferentes todo final de semana que nem sabor mais tem por serem degustadas por tantos. E tenho certeza que o sabor doce e saboroso que você tanto adorava em mim, nunca irá encontrar nessas raparigas amargas e azedas por aí.


― Me escu...

― Não! Não quero mais saber de nada sobre você e nem se você tá bem ou tá mal. Agora já não me importa mais nada. Você teve tanto tempo e tantas oportunidades para falar de você ou tentar se explicar e não aproveitou. Agora que já não me acrescenta mais nada, não irá adiantar. Eu vou seguir minha vida como eu sempre segui antes de você chegar. O nosso sabor morreu. E morreu duma tal forma que eu jamais esperaria. Mas só foi o nosso sabor, pois o meu sabor, de mulher malandra, de mulher guerreira, de mulher de postura, ainda está comigo e eu nunca vou perder, babaca.


tum... tumm... tummm...




Fernando Oliveira.

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