14 de outubro de 2015

QUEM DISSE QUE AMORES ETERNOS SE PERDEM?





Photo: Nathália Secafim e Kaique Cardoso


Eu até lembrei dela esses dias vendo algumas das nossas fotos bem antigas mas eu já não sentia aquela saudade como antes. Claro que me restava boas lembranças do tempo em que nos conhecemos e quando a gente ficava escondido no colégio. Nós éramos tão bobos e inocentes que tínhamos medo de tudo e principalmente de alguém conseguir descobrir o que a gente ''tinha''. 

Mas eu gostava, claro, ela também. Era um segredo que a gente guardava só para nós. Mas só deixou de ser segredo quando a gente não conseguiu esconder o que sentíamos e acabou transbordando dentro de nossos corações. Era uma troca de olhar aqui, outra ali. Um abraço aqui, outro abraço ali. Um beijo roubado no fundo do corredor, outro, na fila da cantina. Um abraço no ínicio da aula, outro na hora de ir embora. Quando a gente pensou que não, todos já estavam sabendo e perguntando: - Vocês estão namorando?  

Ainda me lembro quando ficavámos depois da saída do colégio, já era tarde e nem notavámos a hora passar. Parecia que quando ficavámos à sós longe das pessoas o mundo parava e ao mesmo tempo a hora passava tão depressa. Lembro também daquela carta em que mandei para ela através de uma amiga que era a única pessoa que sabia da gente, pois eu era super tímido, então para eu não me derreter de amores e de tanta timidez diante daqueles olhos que eu era apaixonado, mandava cartas através de alguém. 

Mas claro, como eu já esperava, teve desencontros. Sabia que ao sair daquele colégio cada um iria para um canto do mundo seguir outra vida, outros amigos, outros lugares e outros amores. Sabia que a distância iria acabar nos afastando. Sabia que o destino era pilantra e iria levar cada um para um lado sem sequer saber que ali estava nascendo um novo amor e nem o que a gente sentia um pelo outro. Mas eu sabia que eu não deveria nunca acreditar no destino, pois ninguém nunca soube e nem sabe sobre o dia de amanhã.

E dentro desses dias, numa tarde chegando ao fim, me peguei pensando nela e tudo isso que fazíamos no colégio. Bateu uma nostalgia e uma saudade daquilo que fomos que eu lembrei tão tranquilo e vi que, automáticamente, de canto, me escapou um sorriso daqueles de que tudo que aconteceu entre nós naquele tempo de colégio valeu à pena.

Até pensei que ela já estava namorando ou até mesmo que já tinha casado que era tudo que ela queria. Pensei que já estivesse bem resolvida de vida por que sempre foi uma mulher cabeça e decidida. Pensei que já tinha conhecido outros países como sempre sonhava em conhecer. Pensei que estava sendo a garota mais feliz como sempre quis ser. Pensei que ela nem pensava e nem lembrava mais de mim. Pensei que jamais iria voltar a me procurar toda vez que me perdia. Pensei tantas coisas sobre ela nesses dias que acho que ela sentiu de longe. Já ouvi falar que quando alguém fala tanto da gente, nossa orelha começa a ficar vermelha e quente. Então a dela podia estar pegando fogo de tanto que eu falava. 

Quando eu penso que não, numa quarta-feira já quase para chegar ao fim, ela me apareceu do nada. Tomei um susto ao vê-la. Suspirei, respirei e tremi tudo ao mesmo tempo. Meu coração pulsava e eu não sabia como abraçá-la e nem beijá-la no canto do rosto, pois tínhamos nos perdido e nem sabíamos mais como a gente se adorava. 

Notei bem a sua postura e o seu jeito de falar. Ela já nem olhava mais em meus olhos, pois estava tímida diante da minha presença. Parecia estar tão cansada da vida mas era só do trabalho e dos estudos. Seus dias eram corridos demais então ela levava o cansaço sempre do lado. O cabelo continuava longo que eu sempre adorava. As unhas sempre bem feitas que eu tanto admirava. Estava mais alta do que era mas eu sempre fui o maior. O jeito de andar e o rebolado continuava o mesmo. Realmente ela estava, ainda, incrível. 

Mas faltava algo nela que eu percebi na hora. Era um vazio dentro do seu coração que eu deixei desde quando nos perdemos. Mesmo ela tentando se completar por aí com outros amores, o que mais lhe fazia falta era o meu. Entrou em muitas furadas da vida e acabou escapando. Fez seu próprio coração sangrar tentando agradar alguém. Fez de tudo para fazer alguém feliz mas nunca foi recíproco e sempre se dava mal. Seus amores apareciam pela metade. Daí notei que, de tanto Ela ser Ela com os outros, as pessoas acabaram roubando tudo que ela tinha de bom e a deixou completamente vazia. Notei também, que ao me procurar agora, o que ela mais queria mesmo, era se encontrar. E para ela se encontrar, ela, primeiramente, precisava me encontrar para então se achar dentro do meu amor que tanto senti um dia por ela. E a única pessoa que podia fazer ela sentir a ser ela novamente era Eu. E ela voltou, desorientada e vazia. E claro que eu jamais iria deixá-la ir embora de novo ou se perder de mim. Aceitei, ajudei, compreendi e amei. E fiz ela se sentir a mulher que sempre foi quando estava comigo, sorrindo, decidida e ainda com vontade de conhecer todos os outros países por aí, mas ao meu lado.


Fernando Oliveira.









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