5 de abril de 2016

AMIGOS; POR UMA VIDA. AMORES; EM UM DIA.







Éramos tão amigos que acabamos tendo ummmm, digamos, meio que - amor de verão - sabe? Daqueles de um dia. De uma noite só. De um único beijo. Não teve amor, só foi beijo. Foi numa festa; ainda lembro. O beijo continua nítido na minha mente mesmo que, depois de uns goles de vodka e meio que bêbado naquela festa, não deu pra esquecer; já não sei ela. Tenho a memória boa pra coisa boa. Já as coisas ruins, até que não esqueço; só não lembro mais.

Mas por nós gostarmos tanto da amizade optamos por ser apenas amigos para que não perdessemos essa essência de carinho que estavámos construindo todos esses anos. Claro, se alguém naquela noite se apaixonasse iria mudar tudo. A amizade não seria mais a mesma. A forma de tratar um do outro seria outra. O ciúmes já iria ultrapassar dos limites. Porque dentro do amor nasce muitas cobranças, já a amizade; ah, ela é puro amor com um pouquinho de ciúmes.

Eu já não aceitava vê-la conversando com amigos. Odiava quando ela falava que tava sendo paquerada por alguém, então aí que te pergunto; imagine ela sendo minha? O bicho ia pegar, irmão. Eu tinha um ciúmes dela amigavel, até fofo, sabe, de pegar e falar: ''― Vai amiga, sua louca, fica com ele.'' Mas com tanta vontade de dizer: ''― Não, porra, se eu fosse você preferia eu.'' Claro, né, eu era até mais bonito.

Ela era uma eterna apaixonada por um carinha aí. Vivia me contando os problemas. Eu auxiliava do que fazer e aconselhava para acalmá-la. Eu cuidava tanto dos problemas dela que eu acabava esquecendo dos meus. Acho que amigo é pra isso né; cuidar da dor do outro.   

Depois de terminar com o tal fulano, a Mayara, de uns dias pra cá; foi viver a liberdade. Tornou-se uma eterna apaixonada, não por qualquer cara, mas pela vida. Passava por diversas aventuras e momentos no qual me ligava falando: '' Achei o cara, Fê, achei.'' Enquanto eu quietinho, sem namorada alguma, tendo que vê-la trocar de amor toda semana. Tal dia ela tentou me esconder de que não tinha arrumado mais um amor e acabou soltando: ''― Fê, esse é o cara, achei.'' Ela não controlava a ansiedade de me dizer que tinha conhecido outra paquera com medo de eu brigar por ciúmes (vai, eu até tinha) mas não cobrava, claro, éramos amigos. 

Não demorou muito pra ela me dizer do carinha de Belo Horizonte de onde ela ia sempre passar suas férias, que agora não era aquele amor de verão, mas sim - das próximas primaveras. Já foi dizendo esperançosa de que ali, o cara, era totalmente diferente, legal, bacana, elegante e charmoso. Eu não tinha motivos para desanimá-la, embora morria de ciúmes, mas sempre queria que ela fosse feliz com suas escolhas, afinal, porque ela não poderia arriscar em um novo amor? Ela não precisa ser igual eu, de levar o tempo que levo, talvez esteja no caminho certo em andar sempre correndo de coração em coração. 

Depois de muita conversa ela meio que deu uma brecha por estar super segura: ''Agora vai, Fê.'' Foi aí que me matei de rir, e ela, sem entender, ria junto e ao mesmo tempo me batia. Rapidamente eu falei pra não perder o ar de otimismo: ''Agora vai, May, agora vai. Deus no comando.'' E rachava o bico de ver aquela cara de boba que ela tinha ao estar apaixonada. Ela era até mais Ela, sabe, feliz. Adorava ver aquele sorriso, de que agora, ela estava decidida. E foi nesse momento que eu fui o mais amigo dela; que a segurei nos dois ombros e olhei no fundo daqueles olhos e disse: ''― Vai dar certo, amor, agora vai.'' 

Eu pretendia ser amigo dela para sempre, de todas as vidas, idas e voltas. Poderia ficar vivendo ao lado dela ouvindo ela falar de todos os seus ficantes de uma noite e de todos os seus namorados do ano. Mas naquela festa de uns dois anos atrás, dentro daquele beijo de vodka - eu não contei pra ela - mas acabei me apaixonando. 

Fernando Oliveira.

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