29 de novembro de 2016

Faz tanto tempo...



Eu não sei o que acontece. Não sei se estou me tornando uma pessoa velha demais e achando tudo isso careta, ou se não estou no meu momento certo de poder sentir as coisas. É, sentir pô, sentir o coração gritar de vontade, pulsar de saudade, pra falar de amor.

Não sei o que aconteceu para eu ter me tornado uma pessoa assim: que anda preferindo estar só, não na multidão de pessoas vazias, mas também nem tão sozinha: só com a presença de uma saudade antiga, de um livro empoeirado, de uma música de fundo, um filme de romance, o vento soprando no rosto e o som dos cantos dos pássaros para acalmar a mente. Passo a acreditar que tudo isso é fase. E cada fase que a gente passa, podemos viver ou morrer dentro delas.

Tempo atrás eu vivia me apaixonando todo dia, toda semana, todo mês. Tinha pique de ir para todos os cantos da cidade: bares, baladas, boates. Frequentava festas e mais festas de amigos, familiares e até de desconhecido. Era uma energia boa, uma vontade imensa que, ali naquele tempo, até vontade de conhecer pessoas eu tinha. Incrível como as coisas mudaram tanto de uns dias para cá. Não forcei, apenas foi acontecendo. Tudo começou a ficar um saco. Será que crescer é isso mesmo? Ir dizendo à Deus às coisas velhas sem nos preocupar com a intensidade que elas tinham antigamente? Será que ficar velho é ficar reclamando de tudo? Será que crescer é querer ficar sozinho? Será que a cada dia que passa a gente fica com mais vontade de ficar com nós mesmos e abraçar a nossa própria solidão?

Não sei.

Faz tanto tempo que eu não encontro alguém que me tire do eixo e me bagunce interiormente; fazendo o coração bater acelerado dentro do peito. Faz tanto tempo que ninguém me completa, me encaixa e me adora. Faz tanto tempo que o coração não tenta pular pela boca por receber um simples gesto de bondade; uma mensagem bonita, um presente de surpresa, um abraço por trás. Faz tanto tempo que o frio que eu sentia todo dia na barriga não sinto mais. Faz tempo que não tenho aquela sensaçãozinha boa e marota de como é gostoso ser especial para alguém ou ter alguém em especial.


Faz tanto tempo que eu não sei o que é tempo; frio na barriga e calor no coração. Só sei mesmo é que cada dia que passa, sinto mais vontade de mim mesmo: de me abraçar ao fim da noite, deitar a cabeça no travesseiro e concluir: É, hoje, de novo, eu me amei. Até amanhã.

Photo: Talitha Diniz.

Fernando Oliveira.

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