11 de dezembro de 2013

Desconheço os caminhos.



Um matagal cresce em mim de maneira inesperada, como o mofo que consome qualquer coisa deixada livremente aos insetos, ao ar. Rosas também nascem desse matagal, pássaros fazem ninhos dentro de mim. Aos poucos, me tornarei uma mata densa, úmida e fria. Crescerei por todos os lados, galhas e flores me cobrirão até eu ser só uma floresta de nome desconhecido. Perdida no tempo. Pois tenho uma alma meio dama da noite, que brilha no silêncio, que sorri pra tristeza, que faz festa com o neon, que se deita com o mar como deita o corpo sobre a rede na casa da praia, que chora de saudade, que se acalma com uma música, a mais esquecida, mais tranquila. Dentro dela não se atende telefone, nem fica sabendo das notícias dos jornais. Não há estreias, só renascimento. As vezes a dama da noite se transforma em uma louca perplexa pela luz do sol e sai a sorrir pela rua como se não existisse ninguém. De tão feliz que é.



E eu, quando criança pensava que o mundo era uma grande carruagem em formato de abóbora. Sonhos não eram sonhos, eram de verdade, e cabia tudo ali dentro. Pensava que príncipes e princesas usavam sempre roupas de gala e não havia gente feia, nem gente suja. Os sapos que ladeavam o lago, eram apenas figuras ilustrativas esperando para serem beijados por inocentes e desprevenidas donzelas que passavam na porta de meu castelo. E eles vinham um a um, entrando pra dentro, à cada vez que se transformavam. Eu nunca imaginei um sótão escuro carregado de criaturas estranhas, pra mim eram apenas as palavras feias que minha mãe tanto se zangava, e eu, as mandava pra lá, como castigo por minha falta de educação. O meu quintal era tão grande que eu colocava nele cavalos alados, e guerreiros com lanças brilhantes que reluziam à luz do sol. Eu via, e eu juro que até ouvia, o rompante de clarins que vinha do alto da torre. Eu me sentava em meu trono, e como um autêntico “Arthur”, comandava meu reinado sorrindo austero, mantendo a ordem diante de meus súditos. Eu cresci, vi que a quando se chega a uma certa idade, as coisas mudam, os castelos caem, a vida se transforma, as criaturas saem novamente do sótão e como fantasmas me perseguem pra onde quer que eu vá. As princesas até existem, mas não beijam sapos. As pessoas perdem o respeito por seus cavalos e eles perdem o encanto. E o meu quintal que era tão grande e cabia tudo isso, hoje, mal consigo dar um passo à frente sem dar de cara com o muro que antes não existia. A vida se resume aos muros quando adulto. Muros que se fecham o tempo todo, para quem ousa sonhar. Criança quando criança não sonha. Ela vive no sonho.


Fernando Oliveira.



27 de novembro de 2013

Não se perca.



E na estrada da vida muitas pessoas se perdem, há as que não serão mais lembradas e há as que sempre estarão na memória. Parceiros inesquecíveis não existirão mais além da imaginação do momento e da roda dos que nos acompanharam em carona ou surgiram pelo caminho. Algumas pessoas se distanciam de propósito, outras, a vida que leva pra bem longe. Perdi muitas pessoas importantes sem saber que estava perdendo. Me perdi de muitas pessoas, não porque eu quis, mas sim, porque não dava mais jeito de estar por perto. Algumas pessoas a gente prefere viver longe, de tão perfeita que a pessoa é para nós, a gente acaba estragando e se estragando. Então, de longe, nada afeta. Muitas pessoas veem e vão, poucas veem e ficam. Algumas grudam, impregnam na gente. Outras, passam só de passagem. Algumas deixam aquele ódio, ou uma tristeza serena, e até mesmo aquele pouquinho de felicidade. Espertas são aquelas que deixam uma saudade mansa e aquele vontade de querer mais. Ah, se me deixassem flores, como deixam pedras na porta de casa. Ah, se um dia desses me deixassem uma letra de uma música num papel amassado, como me deixam desesperado de saudade. Uma música calma e leve salvaria. Pegaria esta música e viveria, num canto ou a rodar neste mundo, porque quando nada mais sobrar, nem amigos para contar estórias, nem amores para amar, eu teria apenas as estradas e nenhum passado, só o futuro, o silêncio e a música para servir-me de consolo. Na minha rua não tem estação definida, então me invento na madrugada, foi o que deixaram pra mim. E do silêncio renasço, porque morro todo dia. Todo.

Fernando Oliveira.

16 de outubro de 2013

O Amor.



Se era pra ser de mentira, não tinha precisão de existir. Nada na vida deve ser vivido pela metade, principalmente o amor. O amor não é promessa cristã que se tenha obrigação de ser cumprida por temor à Deus, mas, não se pode deixar pingar palavras da boca sabendo que não vai conseguir firmar-se no futuro. Nunca prometa o que não se pode cumprir, nem finja para si mesmo que, quem sabe amanhã aprenda a amar do jeito que a pessoa é. Isso é impossível. Nós nos acostumamos com tudo na vida e há coisas que mesmo não gostando ainda conseguimos ver algo de bom no meio das incredulidades, mas, viver com alguém sem amor, é um suicídio. A vida é muito curta para se viver um falso amor enfiado no dedo do meio. Nem dá pra chamar de amor de verdade, ao andar com uma mulher bonita, de corpo escultural e longos cabelos e mesmo assim, olhar para outra que passa do outro lado da rua. Isso não é amor. É apenas vicio de se ter alguém ao lado apenas ocupando uma cadeira para que não se sinta sozinho. Felizes, digo eu: São os que se amam de verdade e com a verdade. Aqueles que contam horas e dias só para sentir o cheiro do pescoço do outro. Felizes sim, são aqueles que enxergam nos olhos do outro com a mesma intensidade com que se vê no espelho. O amor é igual à uma planta. Para mantê-lo firme e resistente é preciso preservá-lo e preenchê-lo só de coisas boas e maravilhosas, e bem aos poucos. Para que, ao passar dos dias, o amor possa ir crescendo cada vez mais e bonito. Não adianta a gente querer apressar as coisas da vida. Por que, a gente regando uma planta todos os dias, ela acaba apodrecendo. É a mesma coisa do amor. Temos que ir aos poucos. De pouquinho em pouquinho, regá-lo de paz, de serenidade, de paixão, de fidelidade, de carinho, de sorrisos, de abraços, de amizade, de segurança, de conforto. E bem devagarzinho, para que, mais pra frente, não-o deixe apodrecer.  Feliz do amor que se tem complacência simplesmente para ver o ouro feliz. Fantástico da vida, é olhar os idosos já em suas bodas rebocadas de outro, e que mesmo já terem apagados o fogo da juventude, ainda se olham entre a pele caída de suas rugas e vêem dois jovens dançando no meio da chuva. À isso dá-se o nome de amor.

Fernando Oliveira.

30 de setembro de 2013

O Abraço.


Eu sempre gostei deste seu abraço apertado e sincero. E olha que são raros os abraços que se podem dizer que são sinceros nesta vida. É que o seu vêm de dentro. Do fundo e profundo. É o tipo de abraço que aperta o peito, e o mundo todo abre os braços naquele momento. É dentro dele, que me sinto seguro. Abraço bem dado é afago na alma. Abraço bem dado é fantástico. É contentar-se com pouco, quando o pouco é muito ao que se espera. O calor que se troca dentro de um abraço e que tanto aquece o peito queima as distâncias e, a alma fica exposta numa troca boa de energia onde os corações se encontram. Abraço de urso, que seja este o nome correto, não sei; mas se for sincero o abraço ele se dá até com os olhos, se a vida algum dia arrancar-lhe os braços. Abraçar a quem se gosta é querer sentir-se um só, na mais completa troca de carinho simultâneo. Eu gosto deste teu abraço dengoso pedindo meu colo. Eu gosto de me debruçar em seu ombro. Gosto de me abrigar em suas asas. Gosto deste aconchego de saber que ali encontro paz. Gosto de sonhar dentro dos nossos abraços. É bom sentir o aconchego de um amor dentro de um abraço. A paz que me cabe é a mesma que nos cabe, dentro do nosso abraço.

Fernando Oliveira.

25 de setembro de 2013

Quando tudo sem você, é nada.




E me fazia um bem danado. Assim, fazia. Eu era apaixonado por aqueles abraços. O abraço dela era o meu casaco preferido. Não resisto à abraços fortes e sinceros que me envolvem. Eu sinto como se um choque de esperança me fizesse ver as coisas de uma outra maneira bem mais fascinante. Então, dizia: poupe-se de procurar palavras ou bens materias para tentar me agradar, pois tudo que uma pessoa possa fazer para me ver sorrir e me sentir o Homem mais feliz do mundo é me abraçar. Então pedia para ela, no pé do teu ouvido sempre que chegara perto de mim: Apenas me abrace e me segure bem forte, amor. 

E ela tinha para si, tudo que precisava. Os meus abraços verdadeiros, que lhe deixava segura. Os meus cafunés lentamente. O meu carinho precioso.  O meu romantismo sensível. Os meus poemas em pedaços de folhas de caderno. O meu olhar fixo, e verdadeiro, de que tudo aquilo que estávamos vivendo valeria à pena. Os meus beijos, de tão demorados e molhados, nos mostravam a verdade de como era gostar de alguém. Os meus apertos, de tão apertados que eram, lhe fazia sentir a garota mais segura. Os meus arranhões, de tão fortes que eram, passavam dias e continuavam ali, cicatrizando, para quando não quiser, lembrar de mim. As músicas, que numa ligação do fim da noite, mesmo com a voz rouca, sono e com vergonha, começava a cantar para ela, só para vê-la feliz. As piadas tão sem graça, só para vê-la sorrir. Os ciumes, que não tão exagerados, faziam com que nosso amor aumentasse mais e mais. A saudade que batia forte no fundo de nós, quando não nos viamos nos fins de semanas. A vontade um do outro era a certeza de que tudo aquilo não era em vão. E não era.

Na mulher que eu adorava amar, existia nela uma beleza que a diferenciava das outras. Pensava que só era diferente por que era extremamente maluca e atirada, mas não, tinha coisa além que a separava das demais.
Não era o cabelo bonito, o corpo de violão e muito menos os olhos discretos. Existia nela, uma coisa surreal que dava a certeza pra quem a olhava, que ela, veio pra chamar a atenção. Ela tinha simpatia no modo de falar, e uma elegância quando jogava o cabelo para o lado. Acho que era isso que ela tinha, ''simpatia''. Poderia até estar em uma festa com um monte de beldades e nem tão bem vestida assim, mas amigo, ela era o foco! Tinha o poder da sedução sem querer seduzir, só ela que não notava, ou notava, mas fingia não notar. Ela tinha um defeito. Claro, como toda mulher, sempre sofria de amor por tanto amar. Ninguém sabia o que ela queria, muito menos eu. Como eu, coitado menino, rendido aos seus pés desvendaria mistérios num vale tão oculto como é o universo feminino? Eu só sabia de mim, e do que exatamente eu, naquele momento queria. E lhe dizia: Ah meu amor, como queria tê-la em meus braços e dentro do meu coração. 

E ali, naqueles dias, vivia sonhando. Não é pecado sonhar. E quando eu sonho com ela, vou onde meus pés jamais foram. Eu vou além da linha que divide o céu e a terra. Vou pra onde os anjos fazem morada, onde nasce o sol e descansa a lua. Piso em estrela e me entrelaço entre os planetas me segurando na barra do seu vestido rodado. Deslizo pelos seus cabelos e morro em seu peito. E lá, onde tamborila um compasso ritmado forte onde eu faço morada. É lá onde nasce todas as minhas poesias.

E quando a gente menos espera, a felicidade voa. O que a gente tanto queria, acaba perdendo. Tantos planos acabam indo embora. De vez. De um dia para o outro. Talvez seja por nossa causa, de querer apressar as coisas. E vivia todos esses tipos de pensamentos só para mim. Pois era bom viver tudo isso, mas não era fácil ficar longe. Por que não é agradável sentir saudade de quem a gente mais quer por perto. Mas ainda assim era bom. Tinha certeza. E por um descuido qualquer, nos perdemos de vista. Nos perdemos, eu à perdi e ao perdê-la, me perdi completamente. Vivia em um mundo no qual não era meu. Estava desorientado. E ficava ali, mastigando aquela desorientação sozinho. Houve um desmoronamento dentro do meu Eu. Um buraco. No qual, lancei de cabeça e dentro de mim mesmo, fazia de tudo para me encontrar novamente, mas não me achava. E todo dia, sempre no fim da noite, antes de pegar no sono. Tentava-me entrar em contato com ela. Ligava, mandava mensagem, e nada. E tudo isso foi indo. Os dias foram passando. Os meses foram voando, e quando a gente pensa que não, e que nunca vai passar, e que nunca iremos esquecer, bum, já tinha passado, já tinha esquecido. Tudo parecia estar normal, até lembrar das coisas que fazíamos juntos.

E sei que algo eu a ensinei de um jeito correto. E que todos os momentos, não foram em vão. E que todas as palavras não foram da boca pra fora. E que todos os abraços não foram desperdiçados. E que todos os beijos não foram falsos. E sei, que lá pra frente, há de lembrar dos conselhos, dos momentos difíceis, e que de qualquer forma, saberei que irá levar tudo isso que passamos juntos, como forma de aprendizagem. E que lá pra frente, irá usar com a futura pessoa que estiver. E quietinha em teu canto pensar: Eu aprendi isso com Ele. 

Hoje faz 3 meses que não te vejo e que não falo com você. Do nada, nos distanciamos. Não sei se você está bem, se está estudando, se está trabalhando, gostando de um outro alguém ou se às vezes ainda sonha comigo. Nada mais sei sobre você, além do que sobrou. Recentemente, arrumando a bagunça do meu guarda roupa, no qual ainda findava o teu perfume, encontrei umas cartas que no começo de tudo, me presenteou. Vi algumas fotos sua, o corte de cabelo ainda era o mesmo, o físico, o estilo das roupas. Mas prestei bem atenção e notei que tinha algo diferente, eu sei que tinha, porém, como eu poderia explicar? Era algo no seu olhar castanho escuro, como se no fundo, faltasse algo por dentro de você. Era o formato dos traços do seu sorriso, como se tivesse perdido um pedaço de você... Então lembrei, talvez o que faltava de verdade, era o pedaço de você que eu levei comigo, e não consegui te devolver.

Fernando Oliveira.

27 de agosto de 2013

O Amor que me Espere


Já se passaram muitos anos e cá estou. Desinteressado, miúdo e turvo. O sorriso continua o mesmo de sempre. O coração, pulsando cada vez mais forte. A saudade, mansa e tranquila. A vontade de viver, enorme. Mas sei que, dentro do meu ser e do meu coração, ainda falta algo. Algo que há anos não pude ter. Até hoje me pergunto: Porque sempre deu errado?

Talvez esteja falando que falta uma namorada. Uma companheira para seguir os dias. Um amor tranquilo de primavera. Um amor quente em dias de chuva. Uma paixão que vale à pena. Há tempos que não sei o que é abraçar apertado. Há tempos que não sei o que é um beijo demorado. Há tempos que não vejo alguém que vale realmente à pena tentar todos esses tipos de coisas que a gente chama de paixão. De romance. De dar flores. De acordar ao lado. De dormir apertado. De planejar o futuro. De rir juntos até a barriga doer. De fazer feliz. De contar para os amigos. De assistir um filme em um dia frio. De caminhar na praça. De amar tanto, à ponto de não querer mais ninguém, além dessa pessoa. De ligar na madrugada, só pra falar que tá com saudade. De cuidar. De proteger. De fazer amor em um domingo cinzento de frio. De assistir filmes de terror, apertados, protegendo do medo.

Mas sei que nessa vida, tudo tem a sua hora exata. E que não adianta a gente ficar empurrando com a barriga. E nem ficar dando murro em ponta de faca. O que não é pra ser, não vai ser. Deus, tem o melhor para nós. Guardado. Um dia, quem sabe, a gente acha. Admiro as pessoas que por estar na carência, não entrega o coração ao desconhecido. Admiro também, pessoas que espera o momento certo. Por que, coração não é panfleto de rua para entregar ao primeiro que passar. O coração escolhe um outro coração. Saiba cuidá-lo do seu e d'outro, para ambos, terem uma boa sintonia. Uma boa ligação. E mais pra frente, os dois se unirem e começarem a baterem em um só.

Mas não me desespero. Quem sabe ano que vem, ou, semana que vem, apareça a pessoa que eu mais preciso. Tudo isso, dependendo de como vai estar o meu coração. Ou a vontade desta mulher.  E qual será o seu interesse. Será para sempre ou só coisa do momento? Não sei. Enquanto todas essas coisas não acontecem, eu sigo o meu ciclo de vida. Vou seguindo os meus dias, evoluindo-me, tornando-me um Homem melhor. Tentando, de qualquer forma, fazer com que as minhas qualidades exageradas e os meus defeitos obscuros, entram em perfeita harmonia. Tudo isso para que o dia que essa Mulher aparecer, eu possa amá-la, valorizá-la, do jeito que ela sempre mereceu, da forma que ela sempre buscou em um Homem, cujo não deu valor. E óbvio, fazer os meus dias, o sorriso dela. Então guardo todo o meu amor por dentro. Lá no fundo. É precioso. Pensar no amor que tenho faz com que eu tenha vontade de cuidar de mim mesmo, então é bom. Então eu cuido e preservo. Pois quero alguém para sempre, não para de vez em quando. E assim eu sigo: Felicíssimo. De pernas e ombro dolorido, mas o coração... Ah, o coração tranqüilo.

Fernando Oliveira

Meu Penúltimo Amor




De vez em quando, quase sempre, eu chegava em uma fase da minha vida, em que começava a pensar para mim mesmo, em até quando, ou quando e onde iria encontrar um verdadeiro amor. Sei que não é assim que as coisas acontecem, e que a gente tem que ter total paciência para isso. Mas eu imaginava muitas coisas para mim mesmo. Ficava horas pensando de como seria uma vida de casado. De como seria uma vida com uma mulher ao lado. Mais pra frente, ter os nossos filhos. Poder viajar para todo canto do país. Tirar um fim de domingo para ir ao parque com os filhos. Fazer uma festa em família na varanda de casa. Reunir toda a galera para um almoço, um churrasco. Presentear a minha mulher de todas as formas. Sempre tirando um sorriso sincero. Acordar dando beijinhos. Dormir dando abraço. Assim, essas coisas simples.

E toda vez que eu começava a gostar de alguém, eu já imaginava todas essas coisas. Era loucura. E criava para mim mesmo, uma grande ilusão, que na verdade, nunca iria acontecer com aquela pessoa. Por que toda vez que começava a criar esses tipos de coisas em minha mente, dava errado. Sempre soube que criar expectativas para si mesmo, lá pra frente, daria errado. E pensava tudo isso de teimoso. Sou teimoso demais. E dessa vez, deu. Mas isso a gente não tem como controlar. É totalmente automático. Aparece uma pessoa com um sorriso encantador, uma conversa boa, um olhar bonito, um abraço apertado, um jeito de ser, que nos encanta. E a gente fica completamente fora de si, começando a imaginar coisas para nós, que na realidade, nós, nem sabemos se irá acontecer. E a gente fica vivendo aquilo. Fica vivendo só para a pessoa. Desejando só a pessoa. Querendo só a pessoa. Esquecendo de alguns amigos, não quer saber mais de sair. Abre mão de muitas coisas que a gente gostava de fazer, por causa da pessoa. Mas aí é que vem a realidade, e quando você pensa que tudo está numa boa, algo acaba desabrochando. E esse ''algo'' acaba sendo tudo que resta em nós. E o nosso mundo se despedaça. É como se a gente pegasse um pedaço de pedra de barro e começasse a esfregar em nossas mãos. Só vai cair os farelos, os restos, de pouquinho em pouquinho. E quando você olha para suas mãos, já não tem mais nada. Por que já caiu tudo no chão, e sobraram os restos, os farelos. E isso acontece, quando a pessoa que a gente tanto gosta, parti da nossa vida. Vai embora. Sem dizer nada. Pega e vai. Faz as malas, e pega o primeiro vôo e some. E a gente fica ali, desorientado. Perdido. Fazendo de tudo para que as coisas voltem ao normal. Mas nunca mais irá voltar. Porque, quando a gente tem uma pessoa ao lado que nos fazem bem, e que nós fazemos bem à essa pessoa. Ela não se vai, e a gente nunca pensa em ir. E os pensamentos são de, ficar ali, sempre juntos. Grudados com o coração.

Mas esses últimos dias foram tudo diferente. Eu até pensei em ir, em sumir, em desaparecer. Por que já não aguentava mais aquilo. Éramos muitos diferentes. E eu não me sentia bem ao lado. E pensava sempre: Não. Eu tenho que me adaptar. Eu tenho que me acostumar com isso. É algo novo, é algo que pode render. Mas tentei de todas as formas possíveis, tentei e tentei. Vivo tentando. Mas não deu. Você sabe, quando não é pra ser, não vai ser. Nem aqui, nem na China. Quando a gente quer, a gente sempre dá um jeito. Mas quando a gente não quer mais, não tem quem faz a gente querer. Um amigo faz de tudo, a Mãe implora para voltar ao normal. Mas quem manda é o coração. E quando ele não quer, sem chance. É fim. É ter que seguir outro rumo na vida. Um dia ou outro, a gente pode acordar já decidido. Já desgostado daquilo que vivia com a pessoa. Não sei se acontece só comigo, mas enjoo e perco o gosto rápido das coisas. Hoje eu quero, amanhã já quero mais. Um dia quero estar ali com a pessoa, numa boa. Numa praça, ou pegar um cinema, ou assistir um filme juntinho dela. Outro dia, quero ficar só. Observando o jardim, curtindo um vento no rosto, pensando na vida, no coração. Tal dia, quero meus amigos. Ir numa festa, pegar uma praia, escutar uma boa música, beber um porre danado até começar a ficar simpático e falar besteira e tudo que vem em mente. E não dava para dividir todas essas coisas. Estava preso em algo que não era o que eu queria. Sempre fui solto, e sempre quis ter minha total liberdade de cometer os meus crimes. Acho que nasci no tempo errado. Ou esse tempo seja totalmente errado para me prender.

E nesses dias, tinha sido só ela. Tinha. E é ruim quando você quer tanto uma pessoa ao lado, e essa pessoa te deixa. Tudo começa a ficar complicado. Dá uma lerdeza de encarar os dias seguintes. Dá um desânimo de poder caminhar sozinho. Dá um vazio dentro da gente. Tudo é diferente quando a gente perde um colo, um abraço, uma mão que nos segurava. Mas nós sabemos que não podemos nos abalar à isso. Sempre soube que não adianta a gente ficar remando contra a maré. Entrar em desespero. Ficar dando murro em ponta de faca. Se não deu certo, bola pra frente. Se deu certo e está dando certo, abraça, cuida e valorize. Para não perder.

E por incrível que pareça, dessa vez foi tudo ao contrário. Me perdi dela, e ao me perder dela, me perdi dentro de mim mesmo. Dentro do meu próprio ser. Dentro do meu próprio Eu. E já não me encontrava mais. Às vezes ia de encontro comigo mesmo, a roupa preferida, o cabelo raspado, a barba feita, o sorriso simples, o olhar escuro e o coração em desespero. Mas não me achava. Tinha um vazio. E notei que estava faltando algo. Mas sei que para o nosso bem, tinha que ser assim. E tentava de todas as formas achar um modo de poder me distrair e parar de pensar naquilo. E ligava para amigas, e saia para o shopping, e caminhava na praça da cidade, e jogava um futebol no parque com os amigos, e curtia as festas que tinham no bairro próximo de casa. E aproveitava o que tinha que aproveitar.

E chegou um dia que eu estava curado. Já não sentia mais nada. Tinha até esquecido de tudo. O coração estava calmo. Os olhos bonitos. O corpo e a alma leve. Dificilmente passava pela minha cabeça uma vaga lembrança de um aperto de mão, do cheiro do perfume dela. Mas só passava. E percebi que neste dia, acordei curado e limpo. De coração alegre. De sorriso nos olhos. E fui viver minha vida. Fui viver o que tinha para viver. Fui viver o que Eu era. Fui ao encontro de mim novamente, e desta vez consegui me enxergar. Profundamente. E enxergar o meu próprio Eu. E estava lindo. O sorriso era o mesmo, a vontade de enfrentar os dias era enorme. Sem nenhum sentimento ruim guardado dentro de mim. E só tinha coisa boa.

Acordava nestes dias até mais cedo. Preparava aquele café da manhã bem reforçado. Me vestia com a roupa mais leve que tinha. Andava por aí, nas ruas do bairro com um fone de ouvido, ouvindo o álbum do artista preferido. E a gente sabe quando há felicidade dentro de nós. Quando, automaticamente, a gente começa a cantar sozinho. E do nada percebemos, e já logo pensamos que estamos ficando loucos. Mas não é loucura não. É tudo felicidade. E nestes dias, que tanto demorou, acordei assim: Felicíssimo. E de bem comigo mesmo. Sempre.

E hoje digo que foi bom e sei que restará, lá pra frente, num dia qualquer, boas lembranças. Sem nenhum sentimento ruim. Sem nenhum receio. E vai dar saudade. Sempre. E vai ser uma saudade mansa, daquelas que a gente solta um sorriso satisfeito e já logo pensa: Pô, valeu à pena. E com o pensamento de que ainda posso ser feliz. E que ainda posso fazer uma mulher feliz. Só que amei e fui amado em um momento errado. E hoje escrevo do meu penúltimo amor. Por que o último ainda está por vir. E esse último vai virar o primeiro. Que se vier, torço para vir com vontade própria, com fome de amor e com desejo de carinho. E hoje, novamente de coração limpo e curado, doido para amar verdadeiramente. E à espera de quem fazer por merecer. Fico por aqui, abraço leitores.


Fernando Oliveira

Um dia de Saudade




Em um fim de tarde de um domingo escuro a saudade chegou. Assim, do nada. Sem bater na porta. Sem pedir licença e invadindo-me por inteiro. Não teve como evitar. Essas paradas de sentimentos não tem como evitar. Por mais que a gente tente, por mais que a gente diga para nós mesmo, a saudade vai estar presente de qualquer jeito. Em todos os momentos haverá uma saudade de algo. Uma saudade disso. Uma saudade daquilo. Sentimentos são assim, eles invadem, dominam a gente de uma forma tão insuspeitável, que por mais que a gente tente, não conseguimos controlar. E nessa tarde cinzenta quebrando de tão clara, e um domingo não tão aproveitado, bateu a bendita saudade. Mas era uma saudade triste. Fazia tempo que não sentia uma saudade assim. Nestes dias só estava sentindo aquela saudade feliz. Uma saudade de algo que a gente lembra e automaticamente solta aquele sorriso de que valeu à pena. Uma lembrança boa que fica dentro de nós. Sabe? Mas hoje foi tudo ao contrário. Bateu aquela saudade triste de lembrar coisas desnecessárias. Uma saudade de algo que doeu em mim. 
Dentro do ônibus, voltando pra casa. Ao decorrer do caminho, como de costume, pegava meu livro em mãos e começava ler até chegar em casa. E sempre quando iniciava a leitura, sentia uma sensação tranquila em cada parágrafo, em cada história e todas essas histórias me passavam uma tranquilidade, uma calma no coração, um alívio na alma. Me sentia em outro mundo. Em um mundo que só lá, eu me entenderia. E ler é isso, aprofundar-se dentro de si próprio. Ler é, se ler. Mas neste dia não queria isso. Deu uma preguiça de pegar o livro dentro da bolsa, por puro cansaço mesmo de um domingo acabado. Decidi por um fone de ouvido e ouvir as minhas músicas. Escutar música alivia a alma. Passa um ar de tranquilidade.
Com aquele ônibus lotado, eu sentado no canto da janela, observando o mundo lá fora. Desfrutando aquela natureza linda. Os pássaros voando em coletivo. As pombas em cima dos postes. Um carro passando em alta velocidade com um som no máximo. Um casal sentado na calçada de frente de casa. Uma pessoa gritando. Um parque do outro lado da rua com um monte de crianças vivendo dentro da felicidade. Familiares se divertindo em um restinho de domingo. E eu lá, patético, calado, só observando.
Dei play naquela música preferida. E comecei a me lembrar de tudo. De tudo que se foi. De tudo que já foi ''tudo'' e que hoje só restou lembranças.  Mas até o dia seguinte, me transformei na própria esperança da nostalgia: eu não vivia, eu nadava calmamente num mar de saudade. E pensava comigo mesmo, o que aconteceu naquela época, poderia ser tudo diferente. Tudo. Mas a gente não consegue mudar o nosso destino. Se aconteceu assim, é porque teve que ser assim. Se está sendo assim, devemos respeitar.
E tentava desviar-me de todos esses pensamentos que chegavam na hora errada. Tentava, de qualquer forma, manter a cabeça em outro lugar. Mas não dá, e, rapidamente lembrava. Lembrava dos fins de noites juntos. Dos telefonemas. Da briga em que fazíamos para desligar o telefone. De quem mandava a mensagem por último. De quem mandava a mensagem primeiro. De quem era o primeiro a cobrar um abraço e um beijo do outro. Lembrava-me do começo de tudo, a saudade era demais. A vontade um do outro era imensa. O coração era fraco, e não resistia. Chegávamos a um ponto de amor paranoico que não podiamos mais guardar um pensamento: um telefonava para ao outro, marcando um encontro imediato. E não tinha desculpas. E não tinha nada que nos atrapalhasse. A gente fazia de tudo e sempre dava um jeito de se ver. Eu pensava para mim mesmo: Olha que loucura, nunca fui assim. Nunca me preocupei tanto. Nunca liguei tanto. Nunca implorei tanto para ver alguém. Nunca desmarquei festas com amigos, só para vê-la. Deixava os amigos depois do futebol, só para ficar sentada com ela no portão da sua casa. Saia do colégio de noite e imediantamente ia correndo para os braços dela. E os dias iam passando, essa rotina era boa de sentir. De estar. Quando fui notar, já era amor.
Fiz como pude e como não pude. De todos os jeitos fui levando, algumas vezes amor próprio me faltou, mas eu só queria o seu amor. O seu amor. Certo? Por inúmeras vezes te amava mais do que tudo. Do que tudo mesmo. E pergunto: E você? Fui aceitando todas as suas verdades e anulando as minhas. Fiquei quieto, calado. Fui aceitando e compreendendo tudo contigo. E você meu amor? O quê você fez? Fez porra nenhuma. Jogou-me para o alto. Jogou nosso amorzinho para o alto. E partiu. Sumiu. Deixando comigo, aquela saudade, aquele aperto no coração.
E digo sempre: Esse papo de que a pessoa só dá valor quando perde não é verdade. Na minha opinião, cada um sabe exatamente o que tem ao seu lado. O problema é que ninguém acredita que um dia vá perder. Que um dia aquela pessoa vá partir, assim, do nada. Mas a vida é isso. É um vai e volta. Se Deus tirou, agradeça. Sinal que ai vem coisa melhor.
Eu sei. Vocês sabem. Para um casal se dar bem, ambos tem que ter uma boa sintonia. Se um não quer, não cobre. Dar amor e não receber nada em troca é perca de tempo meu bem. Não adianta insistir em algo que não dá certo. Não adianta fazer a outra pessoa ficar ao seu lado por impulso. Por promessas. Não adianta carregar a pessoa nas costas. Puxar pelos braços. Insistir pra pessoa ficar. Não adianta também, dar uma carona com o coração. O outro tem que estar afim, com fome de amor e carinho, e por vontade própria, querer ir. E permanecer. Ficar. Viver ao seu lado. 
E foi isso que sobrou de mim de um domingo morto. De um domingo acabado. Aquele gosto de vodka na boca, a ressaca torturando, o cansaço da rotina do dia-a-dia e a aquela saudade de sempre. Queria apenas falar de um domingo destruído, de uma saudade triste. E disse todas essas coisas, que acabou sobrando para vocês.
Fernando Oliveira

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Era sexta à noite. Fim de tarde. Entrei no quarto, abri a gaveta do criado mudo, peguei um livro. E dentro do livro estava uma carta que ganhei alguns anos atrás, e justamente com uma flor, que nem cheiro tinha mais, mas estava carregada de lembranças. De bons momentos. E de saudade. Peguei a carta e comecei à ler, não sei porque mas deu vontade de ler novamente. De me machucar um pouquinho. De lembrar um pouquinho do que se foi. Após ler, eu não me senti ali. Estava vagando em outro Eu. No qual, eu nem sabia que existia. E tudo que eu mais queria era sair dali. E não me afogar mais nessa onda paranoica que, naquele momento, era os motivos dos meus pensamentos. Estava completamente fora de mim à procura de o meu Eu. Coisa difícil de acontecer nesses dias. Final de semana, tão guardado para nós, sempre esperamos coisas boas para se fazer em uma sexta ou em um sábado. Sexta, sair para beber. Pegar uma praia. Andar descalço pelo quarteirão. Sábado, reunir os amigos na praça, estar com pessoas verdadeiras, escutar uma boa música, falar besteiras, rir até a barriga doer. E eu, todo patético, choramingando pelo passado. Querendo relembrar de coisas que se foram e não voltam mais. Agora deu, Eu que nunca fui de choramingar amores perdidos, estava ali, desencontrado num mundo que não era o meu mundo. Completamente desorientado e mastigando aquela desorientação sozinho. É pá fudê. Vocês sabem, não é bom sofrer. Por nada, nem ninguém. Melhor sair para um barzinho, ir numa baladinha da cidade, ouvir uma boa música, pegar umas pessoas por aí. Forçar um sorriso no rosto, dizer que tá tudo uma beleza. Sofrer não. Sofrer é pra quem pode. Mesmo não podendo, a gente sofre. A gente pensa que nunca mais vai sofrer. E que nunca mais vamos amar. E que nunca mais vamos dar amor. Mas amor não acaba não garota. O amor fica lá guardado numa gaveta esperando para ser usado de novo. Ser sentido de novo. As vezes usamos, outras vezes doamos para os mais necessitados. Sofremos por quem não merece e fazemos sofrer que não merece. Pessoas mais difíceis de serem amadas são as que mais precisam de amor. Muitas pessoas não compreendem isso, sem compreensão, não há amor. É assim a vida. Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas desejadas. Eu não sei, não tenho certeza. Não sei se foi Deus, ou quem foi. Mas quero mandar um abraço para aquele que inventou o Amor. Nós vamos crescendo, amadurecendo, perdendo os gostos pelas coisas. Acho que crescer é um pouco disso, ir dizendo Adeus para as coisas velhas. Olha, por enquanto não posso dar nome a nada. Mas gosto disso, gosto dos sentidos sem sentidos, aliás, não é preciso compreender ainda, deixa sentir. Estou descomplicando. Estou apenas me permitindo! Apenas.
Fernando Oliveira

Carta à Amiga I e II



Garota, aquieta o facho. Não fique com inveja porque sua amiga tem o melhor namorado do mundo e você está ai solteira. Lembre-se: se você ainda não tem o amor, você ainda pode ter as estradas. Vai pela direita garota. Caminhe. Melhor sozinha do que mal acompanhada. Certo? Quando eu digo em aquietar o facho, eu digo pra você parar de se preocupar em procurar. Não é procurando que se acha. É não procurando que tudo se encontra. É descombinando que tudo se combina. Você sabe, não fique ai sofrendo por amor ou por carência no qual ninguém dá jeito. Isso é paia, é perdição menina. Tenha paciência, calma e força para cruzar esses dias cinzas. O amor é distração; ele pega a gente distraído, calmo, manso. O amor gosta de encontrar pessoas e não gosta de ser encontrado. Fica bem relax, tudo tem de acontecer, e só acontecerá quando for para acontecer. Não adianta insistir em algo que não dá certo. O que é nosso vem com força, se é mais ou menos não é pra ser. Olha vou te contar uma coisa muito minha, um segredo talvez: – Venho enfrentando estes dias numa corda bamba. Já quase caindo. Está sendo difícil, mas pra tudo tem um jeito. Depois que ela me deixou, chorei horrores menina. Mas isso acontecia sempre antes de dormir. À manhã, à tardezinha eu ficava tentando me distrair com coisas que eu não lembrasse dela, isso era bom. Porque lembrar de algo que se foi e não volta mais, dói. Foi uns três dias seguidos, toda vez antes de dormir, deitava-me na cama, pegava meu celular, colocava um fone de ouvido, aquela música que fazia lembrar-me dos dias que passei ao lado dela, entrava na pasta de fotos e olhava as nossas fotos juntos. Entrava nas mensagens, caixa-de-entrada, e tinha uma mensagem assim: ”Eu nunca vou te abandonar.” e chorava horrores. Parecia uma criança. Não sei porque chorei, mas precisava esvaziar. Não sei se chorei por ser burro de ter acreditado outra vez e ter dado errado ou se chorei por ter perdido ela. Acho que foi pelos dois. Acho que quando a gente chora, a gente ta se limpando por dentro e mandando essas coisas que nos machuca para fora de nós. E depois do choro, quase sempre, ficamos mais leve. Estes dias estou sentindo uma dor Feliz. Uma dor daquelas que eu pensei que não iria passar, que não iria superar, mas passou, superei. De todos esses dias que se passaram só guardei essas palavras no meu peito: Paciência, Força e Fé. Viu como são as coisas menina? Por isso te falo: Aquieta o facho. Sossega. A gente não pode se entregar de bandeja. Aparece uma pessoa qualquer e a gente começa a criar para nós mesmos coisas que não vão acontecer. A gente tem essa mania. (principalmente Eu) de uma pessoa qualquer chegar com palavras encantadoras e me ganhar duma forma tão fácil e ao decorrer dos dias eu ficar criando ilusões para mim mesmo e colocando fé e esperança naquilo que não sei se vai dar certo. Acho que esse é o meu defeito. De esperar demais das pessoas. Desejar coisas demais nas pessoas. Olha, eu tô de boa. Fica de boa também. Sem essa de procurar o amor. Você é nova garota, é linda, tem um sorriso encantador e não vale à pena se entregar à algo que não vale à pena. Hoje, não acredito mais no amor. Talvez seja por tantas decepções. Posso ficar pertinho de alguém, abraçar de vez em quando, sentir um pouquinho de saudade e ligar nos dias seguintes marcando encontros, gostar um pouquinho. Um pouquinho só. Mas amar não, amar nunca, amar não serve pra mim. Prefiro assim. Porque, amar é se apaixonar. E se apaixonar é perdição. Se apaixonar dói. Olha, ela partiu duma forma tão insuspeitável e me deixou todo desorientado, perdido e confuso. Levou embora meu sorriso. Me rasgou por dentro. Hoje se sorrio é por felicidade de ter saído dum poço no qual entrei e pensei que não tivesse mais saída. Foi trágico, foi difícil pacas, mas saí. E saí de cabeça erguida. Eu disse até que não iria mais dar sinal de vida, que não iria ligar, mandar Sms de manhã desejando: ”Bom dia princesa. Hoje está um dia lindo, como nós.” Ou de noite antes de dormir: ”Boa noite nenem, durma com Deus e sonha comigo.” Eu disse que não. Muitas vezes que não. Eu não teria coragem de ir atrás de algo que por vontade dela, foi desistido. Não mesmo. Depois de ter me abandonado, a unica coisa que eu deveria fazer é rezar e ficar em silêncio. Rezar pedindo proteção à Deus para que eu consiga ultrapassar esses dias, com ela ou sem ela. Eu decidi me afastar, parar de lembrar dela. Não ir atrás, não me preocupar mais. Porque, se ela não me procura, não vem atrás, é porque consegue viver bem. Se ela está bem, isso que importa. Nunca desejei mal à ninguém mesmo. Quando alguém fala mal de mim. Eu rezo, peço para Deus cuidar. Você sabe garota. Eu falei que ia te mandar uma Carta né? Mas não falei que quando escrevo, falo pra caralho. Isso é normal. Ainda mais quando estou triste. Tristeza é o combustível do escritor. Eu vou encerrar por aqui. Acordei de manhã só para te escrever. Preciso agora por minha roupa de viver e ir caminhar, sair pra rua, escutar uma boa música e me distrair bastante. Faz isso também. A distração e uma boa música é o melhor remédio.

Parte II

Amiga: – Eu tô mal. Tô na pior. Quer dizer… é exagero, eu sei, mas é assim como eu me sinto. Algumas coisas tem me deixado pra baixo ultimamente. Eu conto tudo para os meus ”amigos”, mas eles não entendem, ou entendem, mas não se importam com isso. (por isso as aspas).

Eu: O que acontece menina? Homens de novo?

Ela: Também, (risos). Tem o Eduardo (eu já falei dele pra você), o garoto que eu gosto e que não conversa comigo oficialmente há quase 2 meses. Casualmente há 3 semanas. Sabe, eu já fui rejeitada de muitas formas, por muitas pessoas, em várias datas. Mas de tanto as pessoas me rejeitarem e depois voltarem, acho que criei na minha cabeça a ideia de que sou ”insubstituível”, então simplesmente não aceito que não era pra ser assim. Sei lá, ele tinha que sentir a minha falta também. Nem que fosse só como amiga, como uma simples amizade. Ele se foi. Se despediu. Me varreu como lixo e whatever. Não era pra ser assim. Não queria que fosse dessa forma. Ele tinha que sentir minha falta. Aliás, vamos pensar com certeza – ele tem que sentir a minha falta – devia se preocupar comigo também. Qualquer besteirinha; poxa, ele deveria se importar. Mas ele não se importa, ou se importa, eu não sei. Nunca me disse.

Eu: – Menina… não, não e não! Pare com isso. Não se importe com isso. Se ele não te procura, não se importa, não vai atrás de você, não liga pra perguntar – oi, você tá bem? como tá a sua vida? e o teu coração? – se ele não faz essas coisas que a gente chama de preocupação, é porque ele consegue viver bem sem você. Ele agora está vivendo a vidinha dele, viva a tua também. Certo? o mais feio é você ficar ai, toda imunda, patética, sentada, chorando pelos cantos, e se preocupando com isso. Pô, acorda menina. Dá a volta por cima. Seja forte. Seja você.

Amiga: – Eu dou a volta por cima, só se for com ele. Eu Eu sou forte, mas só com ele. Eu sou eu, só quando estou com ele. Ele se foi, me rasgou toda. Me sinto perdida dentro de mim. Isso dói.

Eu: – Menina, olha… não fica assim não. Eu sei que é horrível (já passei muitas vezes por isso). É chato se importar com alguém e esse alguém não estar se importando pela sua importância. É ruim quando a gente se apega à alguém, e esse alguém nos deixa. A gente fica assim, perdido e só.

Amiga: – É complicado. Tu sabe. Mas e essa dor? o que eu faço?

Eu: – Olha, eu sei que parece que você vai explodir, mas não explode. Eu sei que parece que você não vai aguentar com tudo isso que está sentindo, mas aguenta. Dor é assim mesmo, arde, machuca, rasga, sangra. Mas depois passa. Eu sei que agora você tem uma vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nessa situação, nesse momento tão difícil não é um bom lugar para se estar. Essa fogueira que acenderam dentro da sua barriga, essa sensação toda de que pegaram teu coração tão sensível e torceram com uma toalha molhada – isso tudo é difícil de acreditar – relaxa, que vai virar só uma lembrança na memória.

Amiga: É tão triste. Pior que eu não sei o porquê, talvez eu nunca saiba. Talvez eu nunca retorne a vê-lo sorrindo. Mesmo que de longe, sem mim… mas ainda seria o sorriso dele.

Eu: É triste sim. E muito… a gente sempre pensa que nunca vai passar, que essa dor, essa sensação de estar se sentindo um lixo, um derrotado, um merda não vai passar. Mas passa. A gente pensa que essa pessoa que faz a gente ficar assim, todo cheio de dor, toda cheia de dor, triste, acabado, acabada, sozinho, sozinha seria a ”unica” pessoa que podia fazer a gente feliz, ou a gente mesmo podia fazê-la feliz. Mas não. Você sabe, o nosso futuro é brilhante. O futuro trará pessoas fantásticas, o futuro tem alguém guardadinho para nós. Tem alguém tão especial para nós numa caixa, embalado, amarrado, fechado em 7 cadeados. Mas o futuro só irá abrir quando for a nossa hora. Quando for o nosso dia. Compreende? enquanto não é a nossa hora nem o nosso dia, o presente fica trazendo pessoas no qual a gente inventa com ela, aquilo que na realidade não é. É só esperar menina… que o futuro trará uma pessoa brilhante. Porque ele trás, sempre trás.

Amiga: – É. Eu sei. (triste)

Eu: – Estou na mesma situaçãozinha que você, só que mais complicado.

Amiga: – Quer compartilhar?

Eu: – Me entreguei. Gostei. Amei. Mas não fui correspondido.

Amiga: – Me conta tudo?

Eu: – Eu não gosto de me explicar. Não gosto de contar os meus problemas, ninguém entenderia. Pois guardo tudo pra mim. Eu vou me acumulando, me acumulando, que chega um dia que eu explodo em palavras.

Amiga: – Se quiser “explodir” comigo, acho que entenderia.

(Silêncio)

Eu: Prefiro não comentar.

Fernando Oliveira

É Tudo no Tempo de Deus


Acordei assim, decidido! Sabe quando você levanta da cama e já logo pensa: Chega! E começa a fazer perguntas para si mesmo do tipo: Pra quer ficar perdendo tempo com algo que não vai pra frente? Pra que ficar alimentando esse coração de ilusão? Pra quê? Eu sempre soube que, quando um não quer, dois não fazem. Ficar insistindo por um abraço, por um carinho e implorando pra pessoar ficar, é perca de tempo meu bem. Se ela te quer de verdade, ela fica, sem cobrança. Por livre e espontânea vontade. A gente precisa, de qualquer forma, jogar no ventilador algumas situações, para que elas se definam, negativa ou positivamente. Mas que tenham uma só posição. A nossa vida não vai depender só daquela pessoa. A gente tem que por na cabeça, que pra ser feliz, precisamos, primeiramente, nos amar. Amor próprio é o que falta hoje em dia. Já experimentou amar? Amar de um jeito certo, de um jeito verdadeiro, de um jeito simples. Amar é tão bom. Mas muitas pessoas tem um medo danado disso. Amar não dói menina. Amar é sorrir. Amar é ser feliz. Já que não está pronta para amar alguém, ame a vida. Ame o seu sorriso, ame o seu abraço, ame o seu coração. Amor próprio, é tudo. Muitas pessoas se desesperam para amar. Pois encontra uma pessoa qualquer hoje e já se entrega de bandeja. De corpo e alma. Mal sabe que está caindo numa cilada, ou então, até mesmo, numa boa. Por que, quando é pra ser verdadeiro, a gente percebe. Não haverá lugar para onde correr, para pular, para fugir. Por que, quando o coração quer, quando o coração fala mais alto. Já elvis. É buuuum. É flecha atirada, pois não volta mais. Se for bom, agradeça. Se for ruim, agradeça também, como experiência. O bom é quando Ele faz as escolhas certas. O amor, quando tem de acontecer, sabe nos encontrar. E quando tudo se encontra, é lindo. Nós percebemos quando será verdadeiro, apenas por um beijo. Um abraço. Um olhar. Há olhares sinceros, há abraços fortes, há beijos molhados, que nos encantam. E no outro dia, a gente acorda sorrindo e com vontade de repetir tudo aquilo novamente. Mas para concluir, nada na vida é eterno. Tudo, um dia, chega ao fim. Coisas boas ou coisas ruins, tem o dia certo de acabar. Tem namoros que são perfeitos pelo fato de não ter sido eterno… pois ficaram as boas lembranças, os sorrisos compartilhados, a saudade intensa… não da pessoa, mas de uma felicidade que se teve no momento. As pessoas passam por nossas vidas, e isso é lindo. Algumas deixam marcas, outras, passam despercebida. Algumas deixam aquela vontade de viver tudo aquilo de novo, outras, nem o número deixa. Despedidas fazem parte de reencontros, recomeços, novos amores, novos momentos… pessoas são passageiras, e mesmo que durem uma vida, um dia chegaram, um dia preencheram um espaço vazio que outra deixou. E no meio de tanta gente que não presta, sempre aparece alguém que vale à pena. Mas hoje eu acordei querendo abrir um zíper nas costas e sair de dentro de mim mesmo. Porque, dentro de mim, não era um bom lugar para estar. Sabia que esse dia iria chegar, e que tudo aquilo que eu sentia no momento, era só no momento e que não ia sentir mais. Sempre soube disso. E digo sempre: Se tudo aquilo que você sonhava com a pessoa não deu certo garota, relaxa. Não se desespere, não se mate por dentro e nem corte os pulsos. Recomece. Aprenda a não criar expectativas onde não tem nada, não adiante os passos. As coisas só dão certo para quem curte o momento. Porque os momentos são únicos. Há momentos magníficos e são raríssimos, saiba aproveita-los. Se o sonho que sonhava virou pesadelo, acorde, e sonhe tudo de novo, sonhe tudo outra vez, mas com outra pessoa. E sei que haverá muitas e outras oportunidades de ser feliz ao lado de alguém. E se acontecer de novo, prometo em dizer sempre na manhã de domingo: Não se vá meu amor! Pare, pense e fique. Quem sabe um dia qualquer, por descuido ou poesia você goste de ficar.
Fernando Oliveira

Mulher Toda Perfeitinha


Dessas a gente acaba desgostando rápido. Não é papo furado não, é verdade. Sabe aquela mulher que se preocupa mais com a sua beleza do que com o que tem que fazer? Do que tem que se conquistar? Aquela mulher que faz escova todo dia? Que se esconde atrás da maquiagem? Que passa o dia inteiro se olhando no espelho? Que a gente marca um dia de sair com ela, mas ela não vai porque nenhuma roupa ficou boa em seu corpo? Sabe esses tipos de mulheres? Então, é chato pra caralho. É meio paranoico falar assim, mas é verdade. Mulheres assim é problema! O bom é mulher sincera. Mulher segura de si. Mulher de verdade. Sabe? Pode até ter uns quilinhos à mais. A gente não liga pra isso. Celulite? Isso a gente deixa de lado. Não fez escova hoje? Não importa. Pode até falar uns palavrões, nos xingar, mas adora fazer um sexo no sofá. Porque quilos, celulites, cabelo bagunçado têm sempre uma solução. E às vezes nem chega à ser um grande problema assim, quando existe amor. Eu, por exemplo, gosto de mulheres bagunçadas. Sabe? Desajeitada bonitinha. Que não se preocupa se vai estar feia ou bonita para sair comigo. E que ela pense que o importante é estar comigo. Que não se preocupa com dinheiro. Com o lugar onde estiver. Gosto de mulher que diz tudo na lata e não importa o que os outros vão pensar e vive a sua vida como tem que viver. Há vários tipos de mulheres por aí, mas uma Mulher segura de si, comportada, engraçada. Que tem uma personalidade incrível. Que tem potencial, postura, responsabilidade. Sorriso sincero, abraço apertado. Tem aquela timidez e ousadia ao mesmo tempo. Nós Homens… Eu por exemplo, não resisto. Entre todas essas características abordadas anteriormente, se não houver isso numa mulher, saia de perto. É perdição. Hoje em dias as mulheres estão se preocupando mais com o seu exterior do que com o seu interior. Mal sabem elas, que o lado bonito, de qualquer pessoa, tanto homem, quanto mulher, é o lado de dentro. De dentro. Não adianta você se enfeitar toda para agradar um outro alguém. Se a pessoa gostar de você, ela irá gostar do jeito que você é. E não do jeito que você pensa em ser. Era preciso que alguém fosse de mulher em mulher anunciando: ser bonita, ter uma bunda enorme, os peitos cheios, não interessa. Seja interessante. Interessante. Homem gosta de mulher interessante. Certo? Tenha um bom papo para trocar. Uma cabeça consciente. Um sorriso sincero. Um abraço verdadeiro. Passa à ter confiança em si. Seja segura. Seja simpática. Humilde. Homem que é Homem gosta é disso. Agora quem gosta de bundas enormes, peitos grandes, mulheres que não decide o que quer, que não tem personalidade é moleque. Moleque! Digo assim: moleque não presta. Mas se você saber cuidar do seu moleque e fazer ele virar um Homem, ele dá sempre um jeito de não cair nas tentações da vida. Porque moleque não pode ver uma mulher com o peitinho cheio, com a bundinha redonda, com as pernas dura que já quer pegar. Agora, se o seu Homem te trocar por bundas e peitos na rua é porque você não dá conta menina. Então não adianta depois você ficar choramingando o seu amor perdido. Não garota, você não vai mudar ele. As pessoas não são fáceis de moderar. Existem Meninos e Homens e é nesse ultimo exemplo que você tem que investir. Não que isso a impeça de te magoar, mas é muito mais reconfortante saber que foi um Homem, que te acrescentou e amadureceu, mesmo que acabe te fazendo sofrer. Na hora isso não faz muita diferença, você acha ele um idiota. Um tremendo babaca. E fica xingando ele de tudo quanto é nome. Fica falando mal dele para as suas amigas. Mas acredite, depois de alguns meses quando você parar para pensar sem nenhum sentimento ruim dentro de si, de maneira objetiva fica claro que valeu à pena ter ficado um tempo ao lado do cara que você um dia chamou de idiota. Tenha certeza disso. Digo isso tudo, por experiência própria. 

Fernando Oliveira.

Garota Mulher




Ela me liga num sábado às 02h05 am - e eu atendo ― Você de novo? Já te disse que irei buscar as minhas coisas, não precisa ficar ligando pra avisar. Ela calmamente responde ― Era para te lembrar isso, e te dizer mais algumas coisas. Bom, eu sei, você sabe, todos nós sabemos, existem pessoas que nos fazem sentir bem sem dizer uma palavra, que nos fazem sentir segura sem ao menos estar por perto, que nos fazem sorrir sem fazer nenhum mísero gesto. Existem pessoas que tomam conta de nossos sonhos e até noites mal dormidas, que nos fazem imaginar coisas um tanto quanto impossíveis. Existem pessoas que nos fazem olhar horas iguais e seu nome ecoa na cabeça. Existem pessoas que de uma certa forma mágica, permanecem em nosso coração apesar da distância. Também existem pessoas que nos fazem criar planos, desejos, expectativas e tudo que há de gostoso só para ficar ao lado um do outro, sorrindo, e de uma certa forma, quebram o nosso coração quando eles não se tornam realidade. E então existe você, que além de todas essas características antes abordadas, me completa perfeitamente com esse teu jeito de todo imperfeito, e que me faz sentir bem só de saber que está sorrindo. Mas você sabe, que me têm por completa. E eu, como menina teimosa e burra que sou, vivo correndo atrás de você. Essa sua mudança, essa sua recaída, esse teu silêncio me dói nos nervos. Cadê aquele amor, aquele carinho e atenção que tinha me prometido no início de tudo? cadê? você não falou que eu era a garota dos seus sonhos e que você só precisaria de mim? E aí? eu aqui, toda apaixonadinha por você, toda te querendo, e você ai; todo garoto metido, sabendo que me tem, não dá valor. Quando me disse que me queria, eu acreditei. E hoje estou aqui, toda fodida. Sem ser correspondida. Depois que e eu me entrego de corpo e alma à você, você some. Olha, nunca diga que quer uma pessoa só por querer. Diga que quer, apenas quando for verdade. Aprendi que por mais que você queira tanto um alguém na sua vida, esse alguém não vale tanto a pena a ponto de você deixar de se querer. Por tanto: Ame-se primeiro. Cuide-se primeiro. Valorize-se primeiro. Depois que você se amar, cuidar de si, tiver curado, com o seu coração leve e disponível; queira alguém. Entendeu? Aposto que você diz isso para todas essas vagabundas que ficam te rodeando. Aposto. Eu, toda bonita, cheirosa, me visto bem, toda gostosa, gosto de você, te dou uma moral, e tu não sabe aproveitar. Toma cuidado, que um dia a gente cansa e acaba desistindo de tudo. E quando você perceber que eu cansei de você, vai ser tarde. Acorda pô. Eu ainda não entendo por que eu sou assim, toda afim de você. Toda apaixonada, patética e burra por querer tanto você. E você, todo safado, todo errado, todo garanhão que me têm quando quer. Acho que fui feita pra gostar do que não presta. Você não presta e eu te desejo tanto. Acho que essa sua imperfeição que me faz querer tanto você. Eu te ligo, mando vir aqui me ver, tu não vem. Você me liga, manda eu ir te ver, eu vou. De vez em quando, quase nunca, me liga. Sempre no restinho do dia, como se eu fosse a última opção do dia. Se é que não sou. E me liga me convidando pra ir na sua casa, só pra fazer sexo. Pronto, agora deu. Virei a garota última opção pra quando o bonitão não tiver quem transar, ele me liga, e eu vou dar pra ele. Pronto. Incrível é que eu sempre caio nessa. Toda vez que eu ligo, você nunca vem. Quando a gente se encontra, para mim, tudo fica lindo. O tempo para ao seu lado e passa voando. Eu te ligo, te convido pra vir em casa e tu vem, e vem reclamando porque é longe. Que vive cansado e tudo mais. Aí você chega, tão lindo. E vai embora, tão feio. E me liga, tão bobo. E some, tão especial. E eu burra apaixonada, sinto tua falta. E eu morro, ainda que não ligue à mínima. E eu não tô nem aí, ainda que pense o tempo todo em não estar nem aí. E você, mais burro ainda, não dá valor à Garota Mulher que tem. Você sabe muito bem, que eu sou assim; venho acumulando suas falhas, seus erros e que chega um dia que eu me explodo em palavras. E tudo que eu falo pra você, que eu comento com você, parece que entra por um ouvido e sai pelo outro. E você como sempre, nunca diz nada. Sempre quieto, na sua. Isso me rasga toda por dentro. Esse seu silêncio me fere por inteira. - Ela é assim, diz coisas que mexem comigo, com o meu ser. E eu fico todo lisonjeado, sem reação, sem gestos, assim: sem palavras. Mas, eu tive que falar o que tinha que falar. Algumas coisas, quando enjoa, a gente tem que empurrar e dizer: Chega, não quero mais. Porque ficar arrastando relacionamento maribundo é perca de tempo. Eu, calmamente, sincero e verdadeiro retruquei ― Olha, eu te disse desde o começo que não queria chegar à me envolver do jeito que você está envolvida comigo. Estou numa fase da minha vida que não quero me prender à nada, à ninguém. Eu já tenho um passado, tenho tanta história. Eu não quero mais sofrer por amores não resolvidos e também não quero que isso aconteça com você. Eu quero curtir, sem prometer nada e nem desejar nada. Curtir cada momento que eu estiver com alguém, mas nada sério. Você como menina teimosa que é, pensou para si mesma em se aprofundar nessa história. E quando a gente demonstra sentimentos e afeto demais por uma pessoa, um dia, acaba dando tudo errado. Você sabe. O barato da vida é deixar rolar, deixar as coisas acontecerem aos pouquinhos. Você, apressada demais, pensava coisas demais, desejava coisas demais e isso acabou não acontecendo. Olha, você sabe que sou um garoto rodeado de mulheres, de muitas ex-pegadas e adorado por elas. Você toda certinha, toda linda, não merecia um garoto errado que sou. - ela, garota sensível que é ficou sem palavras. Ao suspirar no telefone, começou a chorar e depressa respondeu ― Eu sei que você não é o garoto certo agora, e talvez eu não seja a garota certa agora pra você. Mas por favor, vamos ficar errados juntos? Vamos tentar acertar, fazer alguma coisa pra dar certo. Vamos parar de fazer tanta coisa errada. Se aquieta. Me aquieta também. Não podemos ficar aqui parados esperando a confirmação de que íamos dar mau. - eu preocupado demais com o que iria dizer nas próximas palavras com medo de magoa-la, falei ― Não dá. Eu, você, a gente, sabe exatamente quando algo termina. E terminou antes de tudo começar. Eu não quero nada sério, e pelo jeito você já está completamente tomada por mim, e isso é triste, porque prá quem já conhece o fim disso tudo, é melhor por um ponto final, um basta. Porque se não, mais pra frente, a dor vai ser pior. Quanto pra mim e pra você. - nós dois já tínhamos percebidos que estávamos no fim de tudo. Ela chorando horrores com sentimento de revolta, de ódio, de decepção, de ter perdido tudo. E eu, com sentimento de culpado, de babaca de não dar o devido valor, mas de pensamento certo de não querer levar mais pra frente, algo que pode piorar. Ela me disse suas últimas palavras ― É triste amar tanto e tanto amor não ter proveito. Eu, garota linda que sou, por dentro e por fora, sempre quis na minha vida saber como é ser um motivo na vida de alguém. Tudo bem, você vai partir assim, e eu não posso fazer nada; há não ser, aceitar sua decisão. Se você quer assim, então vá. Mas não te procuro mais, nem corro atrás. Vou deixar você livre, como sempre quis ser. Espero que sinta minha falta, porque algo de bom, com certeza eu fiz, e sei que deixei uma grande marca minha em você, e as melhores noites de sexo, foi com você; guarde isso. Olha, tu tem meu número, aliás, meu coração também, se sentir falta, ligue. Se quiser me ver, ligue. Estou por aí, se quiser que tudo volte como antes; me procura você. Ah, nossas histórias e juras de amor, foram tantas que chega a ser patético agora que tudo acabou. Mas como toda história, essa também teve um fim. E quero te lembrar de mais uma coisa: peça para ela cuidar bem de você, porque se eu pudesse, eu mesma faria isso por mim. Ou melhor, por nós. Boa noite.

Fernando Oliveira.

Nostalgia


Acordar de manhã, tomar aquele banho por dentro para que todas essas coisas ruins saiam para fora de nós. Tomar um café, escovar os dentes, por uma roupa leve, um chinelo simples, um fone de ouvido com aquela música preferida, aquela que quando a gente escuta, nos deixa leve, tranqüilo e do bem. Caminhar por essas ruas, pegar um vento no rosto, andar de cabeça erguida, sorrir para o mundo e seguir em frente. É uma das melhores coisas que devemos fazer quando estamos naqueles dias cinzas, naqueles dias nostálgicos. Olha, não sei explicar. Acho que tudo isso é de tanta saudade, saudade mesmo. Foi bom te ver, foi bom te ter esses dias. E você está tão longe e ao mesmo tempo tão perto, tão dentro, tão impregnada em mim. Olha, Passei horas sentado num banquinho do canteiro, assim; olhando qualquer coisa sem importância alguma, uma pedra, uma formiga, um grãozinho de areia, sei lá. E naquele exato momento, tudo ao meu redor me fazia lembrar de você. Tentava me distrair, mas logo em seguida me pegava pensando em você assim, do nada. E ninguém compreendia. É bom te ver, te sentir, estar ao teu lado. A parte mais ruim disso é a hora da despedida, a hora de você ir embora. E eu, você, nós não podemos fazer nada, à não ser dar aquele tchau mas não querendo deixar ir e com certeza que no próximo dia iremos nos ver de novo. Depois de muito tempo em negação voltei a acreditar no amor. Naquele amor de livro, novela, cinema. Naquele amor que há tempos sabia inexistente. Pois agora não sei se existe, mas sei que só quero se for assim. Mesmo estando longe, assim; tão distante de mim, eu te amo, eu te curto todos os dias. Não importa a distância, não importa nada, nada. Largo tudo. Venha comigo para qualquer outro lugar. Estou sufocado de saudade, mas aguento firme. Sentir saudades doí. Mas as vezes é muito bom sentir aquela saudade de alguém, só a saudade mostra a verdadeira importância que uma pessoa tem em nossa vida.

Fernando Oliveira. 

Somente Ela

Lembro quando eu há vi pela primeira vez. Sem jeito, com vergonha e tímida. De repente eu há vi assim, como se não fosse ver nunca mais na minha vida. E mesmo assim seria bom não tivesse visto nunca mais, nenhum outro dia e nenhuma outra noite. Porque quando eu não queria, eu há vi outra vez. E outra. E depois mais outra. E enquanto eu há via, despertava em mim, dentro de mim aquela alegria mansa. Ela tem um jeito meiga de ser. Cara de menina mimada. Um quê de esquisitice, uma sensibilidade incrível de flor, um jeito encantado de ser e um tom de doçura. Uma doçura boa de provar que não enjoa. Se faz de difícil, mas no fundo eu sei o que ela quer. Me provoca. Joga água e sai correndo. Morre de ciumes, mas me mata de saudade. Me xinga, me belisca quando à provoco, mas no fim acaba ganhando beijinhos. Na hora H diz que sou safado e manda eu parar, mas adora. Quando recuo, volta à me provocar. Eu, como garoto levado que sou, não resisto. Ela me arranha, eu mordo. Ela me abraça, eu aperto. Ela pede pra parar, eu quero mais. Ela faz biquinho, eu beijo. Quando eu penso que não, ela quer mais. Quando ela quer mais, eu já passei do mais. Linda de tão linda. Tão mais tão perfeita. Tão per-feita. Tão feita pra mim. O sorriso dela é apaixonante. O beijo é molhado. Os arranhões são intensos. A pegada é forte. O abraço é apertado. As palavras e os olhares, são sinceros. O ciumes é chato, mas eu adoro. Às vezes eu xingo, brigo, querendo sempre estar na minha razão, depois eu volto todo bobo, pedindo desculpas. Quase sempre finjo que não me importo, mas não vivo sem. O que te dizer? que me faz falta? aquela falta absurda. Quando tudo sem você, é nada. Há dias não te vejo. Há noites que te invento nos meus próprios sonhos. Te mando mensagem no fim da noite e te ligo no início do dia. Pra dormir feliz e começar o dia bem.  Mas nada disso preenche essa tal saudade. E no outro dia começa tudo de novo. Eu desejando que você venha de novo, mas nunca vem. E a saudade aperta. A vontade de você aumenta. O coração grita. E hoje, num simples dia, te escrevo. E assim, do nada, não mais que, numa tarde quase quebrando de tão clara, ao som de Chico Buarque, você chegou na minha saudade. De novo.

Fernando Oliveira.

Silêncio Feliz



Fim de tarde, já não havia mais por do sol, já estava anoitecendo. Aquele tempo fechado e eu prevendo sinal de chuva. Ia seguindo em frente, sem rumo, como se não tivesse destino para onde ir nem a onde chegar. Escureceu, o tempo fechou-se para dentro de si. Chovia. Eu estava bem acompanhado; de chuva, de árvores, de pássaros e Deus. Era um dia cinza, um dia banal. Lá estava eu, indo por dentro da chuva, caminhando-me felizmente. Não importava-me as roupas, a camisa nova, ou o shorts novo, nem a sandália nova, nem o resfriado depois. Eu queria sentir cada gota entrando-me por dentro e me limpando, e cada uma dessas gotas de garoa fina ia misturando-se às minhas lágrimas que caiam sobre o meu pranto contido desde quando comecei a caminhar. Porque aquele dia, naquela tarde cinzenta, aquela chuva significava todos os choros que nunca conseguiria chorar em vida.

Fernando Oliveira.

Verdadeiro


A gente sabe quando é verdadeiro. É simples. Você que tem um coração frágil, irá ficar nas mãos dele. E não interessa se você é orgulhosa demais pra isso, quando a gente ama de verdade a gente se entrega. De corpo e alma. Você faz juras para si mesma que não vai ligar e de repente já ligou, promete que não vai perdoar mas na hora nem lembra mais o motivo do perdão. E do nada está ali do lado dele com o sorriso largo. Mas não tem problema, o amor recompensa. Você vai passar a noite toda chorando pelo babaca, mas na manhã seguinte vai se sentir a mulher mais feliz do mundo ao escutar um “eu te amo”. O amor é isso. É luta, mas com recompensa. Quem disse que o amor é sempre riso, carinho, felicidade, está mentindo. Amor é um pouco de esperança com decepção. É dor misturada com remédio. É ansiedade. É insegurança. É ciumes. É achar que ele ia ligar, mas não ligou. É quebrar a cara várias vezes até aceitar os defeitos do outro e passar a amá-lo mesmo que suas atitudes não correspondam com as expectativas. Cabe a você decidir se o que você sente é maior que as dificuldades. E quando for amor, vai ser maior. Maior que você. E não interessa quanto ele ganha, onde ele mora, a família, os amigos… Você vai criar formas de se estabilizar. Você vai mudar seu gosto musical e muitas coisas em você. De repente vai sentir um interesse imenso por musicas melosas e também por aquelas preferidas dele. Você vai mudar o jeito de andar, o jeito de se vestir, o jeito de falar. Você vai procurar maneiras de se tornar a mulher mais bonita que ele jura que você já é. E de um modo ou de outro, a gente acaba se tornando isso sem perceber. Uma mulher alegre, vaidosa, bem resolvida, amada. Isso vai te fazer bem, portanto, vai te fazer linda. Pra você e pra ele, não importa o resto do mundo. Você vai morrer de felicidade por acordar de madrugada recebendo uma mensagem ou uma ligação dele. Vai chegar em casa após um encontro e repassar cada cena, mesmo que esse tenha sido o milésimo. Vai querer falar dele pra todo mundo, ou vai falar mesmo sem querer e nem vai perceber. Vai inventar insônia pra pensar nele. Vai ilustrar suas viagens de ônibus com estórias de amor criadas na sua cabeça. E você vai ser feliz, na dificuldade, na dor, na queda. Não vai mais estar sozinha. Vai encontrar a força que tanto precisava. E a vida vai passar a fazer sentido. Você vai entender sobre você e sobre como é amar e ser amada. Ela não vai ficar mais fácil, mas você vai se tornar mais forte. Mais segura de si. E não importa se você tem medo de altura, de bicho, do escuro… Se ele segurar a sua mão, você pula, você enfrenta, você não foge. A única coisa que vai ser inaceitável pra você, é perdê-lo. Porque perder alguém que a gente ama em vida, é pior do que perder alguém que a vida tira. Por que a gente sabe que a pessoa vai estar ali, vivendo a vida dela, sorrindo, mas não do nosso lado. E é ruim, quando a gente quer tanto alguém, e esse alguém não está do nosso lado, nos acompanhando nos dias que mais precisamos. Daí que a gente sofre. Não temos certeza nem do amanhã da gente, imagina do outro. E todo homem é um pouco filho da puta. E toda mulher é um pouco neurótica. Mas não existe nada mais bonito do que um casal de filho da puta e neurótica juntos.

Fernando Oliveira.

Uma Leve História de Amor


Eu te disse que sonharia com você, apenas pela certeza de que sua imagem linda, clara, fascinante jamais sairia da minha cabeça. É clichê falar que vivo pensando em você todos os dias, mas vivo. Vivo pensando. Penso para viver. Hoje antes de dormir, ao me deitar, estava pensando em ti novamente. Eu não sei se é sonho, não sei exatamente o que acontece. Mas aqui, dentro de mim, bem no fundo, eu te sinto sempre. Até quando durmo, sinto sua presença, sua voz, seu sorriso. Às vezes, quase sempre, evito pensar, mas não dá. Sinto e vejo tudo, meu misto de sonho e realidade. Porque demorou tanto para chegar? eu guardei um bom sonho pra ti. Essa noite toda, foi perfeita. Eu estive com você, da forma mais incrível. Toquei seu coração. Te dei o meu e recebi o seu. Mãos entrelaçadas. Pernas cruzadas. Carinhos trocados. Nós dois apertados. Ao amanhecer, sua imagem continuava nítida em minha mente. É possível sentir falta do seu beijo sem tê-lo? É possível lembrá-la todas as noites antes de dormir? Sentir sua falta, ausência de ti? Como dentro de um sonho, eu te tenho sempre. Depois, triste me lembro, é apenas um sonho. Lembro que não virá, mas pelo menos nele, somos um Só. Meio sonolento acabei acordando pelo vibrar do celular e era você. Era bem de manhãzinha, os pássaros ainda estavam cantando para o mundo. Peguei o celular e logo de cara deparei com sua foto linda e sua mensagem dizendo: ”Bom dia amor. Hoje eu sonhei que você sonhava comigo. E foi tudo bonito. Desculpa se eu te acordei essas horas da manhã com a mensagem, mas ao acordar a primeira coisa que eu pensei foi em você. Beijos e durma bem.” Na hora eu li e sorri. Me cobri com o cobertor, as mãos juntas juntei ao meu rosto e voltei a dormir. Sorriso tranqüilo. Feliz e satisfeito como sempre.

Fernando Oliveira.

Amando-te


Acordar ouvindo tua respiração, assim como quem respira o mar pelas ondas, sussurros vão e veem, estamos grudados em pele.

As tuas mãos entrelaçadas nas minhas, o meu corpo grudado no seu, nada tão mais lindo.

Breve, pulsa no meu peito o seu coração quieto da noite, então espio pra ver se já é de manhã, mas você ainda dorme.

E eu volto a dormir pensando como é não ter saudade.

Nada que perturbe a quietude, ondas você ainda respira, e me afogo também em outro sono, quem sabe nos encontramos no sonho do outro um futuro que não se pode findar.

E antes que nos acorde o sol, deitados nos abraçamos com o frio.

Um dia prometi deixar as portas abertas. E ficaram…

Só não sei te mandar embora.



Fernando Oliveira.

Porra Zé

Essa vidinha, vou te contar viu. Tá uma porra mesmo. Não falo que está totalmente boa do jeito que eu quero que esteja mas também não tá tão ruim assim. Olha Zé, já chorei tanto, já fiz esse coração doer tanto. Já perdi amores, já conquistei amores. Já fiz algumas pessoas sofrerem um pouco, ou até demais. Mas nunca foi de propósito Zé, nunca. Fazia de tudo para que não deixasse ninguém sofrendo por mim, mas quando isso acontecia, era triste. Nunca feri alguém de propósito, quando percebo que feri, fico chateado. E vem muitas preocupações. Também já fui ferido, até demais. Mas o que há de fazer? Nada. Mas cê sabe Zé, é a vida. Quem tem culpa? Ninguém. Não adianta culpar você mesmo e nem o teu coração. Coração é burro, tu sabe. Mas só é ruim mesmo quando ele faz as escolhas erradas. Porque quando ele acerta em cheio e escolhe a pessoa certo, tu sabe, é uma delícia. Não é verdade? Mas é isso Zé: hoje é dor, amanhã é felicidade. Hoje a gente perde, é passado pra trás, chora, sofre, dói bastante. Mas passa. É uma forma da gente aprender a lidar com os erros e que daqui pra frente ter aquela certeza de que iremos fazer tudo certo. Se é que existe um jeito certo. Eu falo que nunca mais vou me apaixonar, que nunca mais vou amar, que nunca mais vou chorar por alguém, mas é tudo mentira Zé, tudo. Porque, hoje ou amanhã, ou qualquer dia do mês, há de aparecer alguém, com que vai me fazer sentir outra pessoa e vai me fazer sentir tudo de novo. Tudo aquilo que a gente chama de gostar. Ai eu vou gostar. Ai eu vou me apegar. Ai eu vou me apaixonar. E já era. E tu sabe Zé, se apaixonar é começar aquele inferno tudo de novo. É um cu. Mas agora Zé, tô que tô uma beleza. Tô que nem pedra. Concreto. Procurando não me envolver. Só curtir. Curtir. Sabe Zé? uma pegada ali, outra aqui. Outra ali em baixo, outra aqui em cima. Mas de leve. Na terça-feira não vi o senhor Zé, por onde andou? Ou será que foi tu que me viu chegando às 7h da manhã em casa, fazendo aquele barulho ao abrir aquele maldito portão. É. Balada, Zé. E tenho que te contar pô, tudo. Adivinha quem estava por lá? Ela mesmo. Aquela que eu pegava Zé. Já até comentei contigo pô. Não, não a Gabi não, ela se foi e me deixou. E sem ser a Lari. Lari é só amiga agora. E também não é a Carol, eu te falava muito dela, mas ela era passa-tempo. Não, não é a Thayná. Thayná tem namorado. Sim, é essa que você tá pensando. A que vinha me visitar de manhã e ia embora à tarde né? sabia. Pensou certo. Essa mesmo. Então Zé, encontrei ela numa balada aí. Bebemos demais Zé, ela passou dos limites. Fui levar ela na casa dela, chegando lá, tinha ninguém e o portão estava trancado. Ela disse que queria ir pra minha casa e dormir comigo. Pô Zé, eu mulherengo que sou, acha que eu fiz o quê? Trouxe pra cá né. Tu sabe, prá quem tá se afogando, jacaré é tronco. Depois daquela noite, de manhã; acordei exausto. E ela ainda queria mais. Vê se pode? A garota tava com fogo Zé, apaguei rapidinho. Tu não viu ela indo embora né? Então somos dois. Mas vou te confessar: é bom quando vão sem dar trabalho Zé. Se eu paguei? Que isso Zézim, tá fica biruta? Ela não era namorada de aluguel não. Mas tô só me divertindo Zé. Não é isso que nossos pais e amigos mandam fazer? Vai se divertir menino. Tu é novo. Tu é bonito. Vai se divertir ué. Então, é o que estou praticando. Porque, quando a gente reclama demais, chora demais e escreve um monte de besteiras profundas. Quando a gente se apaixona e enche demais os amigos e os nossos pais com tanta melação, eles não mandam a gente se divertir por aí? Então Zé, tô só me divertindo. Tô obedecendo todo mundo. Não é isso que todo mundo acha divertido na nossa idade? Beber demais. Dançar demais. Fazer sexo sem amor. Ser sempre jovem e não sentir porra nenhuma? Olha Zézim, no começo de tudo doeu ficar sem sentir nada. Mas eu consegui né. Hoje eu não sinto nada. Estou careta. Umas vão, deixam até marcas. Outras vem, não deixam nem o telefone. No dia seguinte acordo cedo, tomo um banho, passo um café pra mamãe, deito na rede esticada na varanda, leio um livrozinho e olha: nada. Nadinha mesmo. Nem pena de mim eu consigo mais sentir. Meu amor era lindo Zé, mas ninguém sabia aproveitar Zé, ninguém acolhia ele. Todo mundo só maltratava o bichinho. Ninguém mais vai abusar do meu coração, pelo simples fato de que eu não tenho coração nenhum. Já era, Zé. É isso que o povo fala que é ser esperto? Pô, parabéns pra mim. Mas escuta bem Zézim, hoje é sábado. Hoje tem balada. Hoje tem festinha. Hoje tem sacanagem. Tem bebida e muita música. Tu não vai ficar chateado comigo não né, Zé? Eu sei que você fica emputecido com isso. Me liga e só escuta. São muitos nomes né? É tantos nomes que às vezes até eu me confundo. Ex é foda Zé. Só serve pra foder mesmo. Se dá saudade, a gente liga. Se não dá saudade, é porque tem outra. Ex não serve pra nada, há não ser pra passar tempo. Se ex fosse bom, não seria ex e sim atual. Não é Zé? Tu sabe Zézim, ex é igual ver um filme que você já assistiu. Dá até pra passar um tempo, mas você já sabe como irá terminar. Algumas pessoas acabam se encontrando com suas ex ou com seus ex, e do nada sente aquela saudade sabe? porque foi bom quando estavam juntos. Ou sente raiva, porque a pessoa tá mais bonitinha. Ou sente ódio, porque ta bonita e com outra pessoa ao lado. Ou sente felicidade Zé, porque ficou mais feio do que antigamente. E sentem tantas essas coisas aí. De bom ou de ruim. Agora eu Zé, simplesmente quando vejo ex minha caminhando na rua, não sinto nada. Pode tá gostosa, ou com outro bonitão. Pode tá mais feia do que antes, ou com um cara mais feio que eu. Não sinto nadinha. Só me passa pela cabeça: Ah, já peguei. Mas é isso Zé, não venha me culpar não. Eu tô só obedecendo todo mundo. Tô curtindo. E você Zé, que fica esperando por aquela pessoa perfeita, quando encontrar me avise.


Fernando Oliveira.