27 de novembro de 2013

Não se perca.



E na estrada da vida muitas pessoas se perdem, há as que não serão mais lembradas e há as que sempre estarão na memória. Parceiros inesquecíveis não existirão mais além da imaginação do momento e da roda dos que nos acompanharam em carona ou surgiram pelo caminho. Algumas pessoas se distanciam de propósito, outras, a vida que leva pra bem longe. Perdi muitas pessoas importantes sem saber que estava perdendo. Me perdi de muitas pessoas, não porque eu quis, mas sim, porque não dava mais jeito de estar por perto. Algumas pessoas a gente prefere viver longe, de tão perfeita que a pessoa é para nós, a gente acaba estragando e se estragando. Então, de longe, nada afeta. Muitas pessoas veem e vão, poucas veem e ficam. Algumas grudam, impregnam na gente. Outras, passam só de passagem. Algumas deixam aquele ódio, ou uma tristeza serena, e até mesmo aquele pouquinho de felicidade. Espertas são aquelas que deixam uma saudade mansa e aquele vontade de querer mais. Ah, se me deixassem flores, como deixam pedras na porta de casa. Ah, se um dia desses me deixassem uma letra de uma música num papel amassado, como me deixam desesperado de saudade. Uma música calma e leve salvaria. Pegaria esta música e viveria, num canto ou a rodar neste mundo, porque quando nada mais sobrar, nem amigos para contar estórias, nem amores para amar, eu teria apenas as estradas e nenhum passado, só o futuro, o silêncio e a música para servir-me de consolo. Na minha rua não tem estação definida, então me invento na madrugada, foi o que deixaram pra mim. E do silêncio renasço, porque morro todo dia. Todo.

Fernando Oliveira.